1.6.11

Maia suspende convocação de Palocci na Câmara

Depois de duas semanas de tentativas, os partidos de oposição conseguiram aprovar a convocação do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, para explicar na Câmara a multiplicação de seu patrimônio e suposto tráfico de influência praticado por sua empresa, a Projeto. No início da noite de hoje, em uma ação combinada com os governistas, o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), decidiu suspender a decisão da Comissão de Agricultura, onde foi aprovado o requerimento, até a próxima terça-feira, quando dará a palavra final.

Até lá, Palocci ficará exposto a um crescente desgaste político. A aprovação da convocação de Palocci ocorre um dia após senadores do PT terem cobrado explicações do ministro e do aumento do incômodo de deputados petistas e aliados pela ausência de respostas às denúncias. Antes de decidir pela suspensão, Maia foi pressionado por parte da base que queria a anulação imediata da convocação. Houve um temor, no entanto, de que a oposição poderia conseguir uma liminar no Supremo Tribunal Federal validando a decisão da comissão.

"Optei por tomar uma decisão equilibrada", disse Maia. Até semana que vem, ele pretende analisar as imagens, as notas taquigráficas e ouvir integrantes da Agricultura sobre a votação. Os governistas reuniram 30 assinaturas do total de 40 membros da comissão a favor da anulação da convocação de Palocci. Com número suficiente para derrubar o requerimento, os governistas agiram de forma confusa e demoraram a perceber a estratégia da oposição na comissão, comandada pelo deputado Lira Maia (DEM-PA). Na reunião da comissão, líderes do governo contabilizavam 28 votos, mas a votação simbólica não revelou essa maioria.


Paraná Online

Oposição saboreia "pizzas Palocci" no Senado

Protesto por falta de investigação ao ministro criou sabores alusivos às denúncias contra o chefe da Casa Civil

Oposição saboreia ´pizzas Palocci` no Senado<br /><b>Crédito: </b> Beto Barata/AE
Oposição saboreia ´pizzas Palocci` no Senado
Crédito: Beto Barata/AE

A oposição organizou um protesto bem humorado na noite desta quarta-feira, no café do plenário do Senado. Eles pediram três pizzas e colocaram sabores irônicos impressos nas embalagens, entre elas a Pizza Palocci, para evitar que as denúncias envolvendo a evolução patrimonial do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, fiquem sem investigação.

O senador Cyro Miranda (PSDB/GO) foi quem promoveu o jantar da oposição, que discutia há horas no plenário sobre a aprovação da Medida Provisória (MP) 517, conhecida como MP Frankenstein. Os senadores batizaram as pizzas de "Palocci", "Luiz Garçom" e "MPs". "São os sabores do momento. As pizzas simbolizam o que o governo quer: que não se investigue nada", criticou Miranda. "As pizzas foram enviadas pela Casa Civil", provocou o líder do DEM, Demóstenes Torres (GO).

O senador Roberto Requião (PMDB/PR, um dos governistas que assinaram o pedido de CPI contra Palocci, foi um dos primeiros a experimentar as pizzas. "A qualidade da pizza está sendo examinada pelo Ministério Público", brincou. As explicações de Palocci sobre o aumento de seu patrimônio foram encaminhadas ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e aguardam o seu parecer.

Durante o dia, o DEM conseguiu aprovar a convocação de Palocci para explicar suas contas na Câmara dos Deputados, através da Comissão de Agricultura da Casa. Foi uma ação esperta da oposição e um cochilo dos governistas. A votação foi simbólica, mas o governo não conseguiu pedir verificação dos votos nominais. Isso ocorreu porque, minutos antes por uma estratégia da oposição, a comissão já havia realizado outra votação nominal. Pelas normas regimentais da Câmara, há o prazo de uma hora que precisa ser respeitado entre duas votações deste tipo.

À noite, contudo, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), suspendeu os efeitos da votação. Ele pediu até terça-feira para que a presidência da Casa analise o material sobre a votação e decida sobre a validade da convocação.

Agência Estado e Correio do Povo