Manifestações em estradas podem comprometer reunião marcada para hoje em que deve ser apresentada proposta a policiais
O cenário bélico em rodovias no Estado tende a se agravar. A série de protestos com queima de pneus, clamando aumento salarial para PMs, cresce a cada madrugada, e o governo do Estado acena com a possibilidade de se afastar da mesa de negociações com a entidade que representa os soldados da Brigada Militar (BM), a Associação Beneficente Antônio Mendes Filho (Abamf).Dos 19 casos desde o começo de agosto, pelo menos sete tiveram o apoio da Abamf.
– A Abamf só será reconhecida como fonte de negociação se ela tiver uma posição firme contra essas atitudes criminosas e se desvincular completamente delas – afirmou o governador Tarso Genro.
Tarso ressaltou que uma proposta para uma entidade só deve ser feita quando ela tiver uma posição clara sobre o respeito às leis e à Constituição. O governador disse ainda que o Piratini prosseguirá negociando reajuste salarial de PMs, mas não necessariamente com a associação de soldados.
– A negociação não precisa ser com uma fonte, a Abamf. Temos o comandante da BM e o secretário de Segurança com quem podemos discutir questões salarias.
O secretário de Segurança Pública, Airton Michels, foi enfático:
– Se continuar a queima de pneus, a conversa pode acabar.
Reunião hoje no Piratini com policiais deve ser tensa
Ontem à tarde, Michels, o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, e integrantes das secretarias da Fazenda e da Administração se reuniriam para estudar propostas a serem apresentadas hoje aos PMs. O encontro com a Abamf está marcado para as 10h30min no Palácio Piratini e promete ser tensa.
O presidente da Abamf, Leonel Lucas, garante que desde sexta-feira passada, quando se reuniu com o governo, não ocorreram novos protestos com o apoio da associação.
– Abrimos diálogo com o governo e nos posicionamos contra a queima de pneus – disse Lucas.
Sobre a possibilidade de a entidade ser afastada das tratativas, Lucas dá um recado ao governo:
– Se a Abamf é o empecilho, estamos dispostos a sair da negociação, mas o governo tem de cumprir suas promessas de melhoria salarial.
Zero Hora
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