Em cerimônia no Senado, ex-presidente recebeu elogios de opositores e deu conselhos à petista
Foi em clima suprapartidário, com direito a reconhecimento público do PT, que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso encerrou ontem, em Brasília, a série de homenagens programadas pelo PSDB para celebrar a passagem de seus 80 anos completados no dia 18. Depois de o presidente da Câmara, o petista Marco Maia, tê-lo saudado como “um homem de bem, comprometido com o Brasil”, foi FH quem elogiou a presidente Dilma Rousseff, pela carta enviada na passagem de seu aniversário.O homenageado declarou-se “muito feliz” com o gesto de conciliação da presidente que, na carta, o reconhecera como um político que “contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica” no Brasil.
– Muito mais que um gesto político, foi um gesto para dizer: olha, somos todos brasileiros, em alguns pontos temos de nos entender – analisou, no discurso de agradecimento.
Em seu pronunciamento, o ex-presidente admitiu que o país avançou muito em relação àquele “país pobre, doente, analfabeto, mergulhado num abismo social de diferenças de classe”. No entanto, embora os brasileiros tenham, agora, acesso à educação e à saúde pública, o tucano advertiu que é preciso qualificar os serviços:
– Temos de entrar num patamar em que não basta o acesso, falta muito para o salto de qualidade.
No discurso, o ex-presidente também recomendou à petista diálogo com o Congresso – no momento, Dilma enfrenta resistências entre aliados pela liberação de emendas.
– Ou o Congresso retoma debates que têm força ou é difícil que tenham suporte na nacionalidade. Me esforcei muito para mudar muitas coisas pelo Brasil, mas sempre dialoguei com o Congresso, ativamente dialogando com cada um, com todos. Política e democracia ou é de convencimento ou não avança – disse ele.
Coube ao ex-governador e ex-candidato à Presidência José Serra (PSDB-SP) dar o tom político ao ato em homenagem a FH. O tucano fez ataques indiretos ao PT e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ressaltar qualidades de Fernando Henrique.
– Um presidente que nunca condescendeu com mal feitos para privilegiar aliados. Jamais passou a mão na cabeça de aloprados – afirmou, em referência à denúncia da compra de um dossiê por petistas contra Serra durante o governo Lula.
Por fim, Fernando Henrique declarou-se emocionado com a exibição de um vídeo feito pelo cantor e compositor Chico Buarque para sua campanha a prefeito de São Paulo pelo PMDB, em 1985, transformando a clássica Vai passar em Vai ganhar. Revelou que, na época, recebeu um telefonema de Chico cantando o refrão da música para ele. E comparou a surpresa à emoção de ter a “grande dama cênica”, Fernanda Montenegro, como mestre de cerimônias na homenagem de ontem.
Zero Hora
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