1.6.11

Oposição saboreia "pizzas Palocci" no Senado

Protesto por falta de investigação ao ministro criou sabores alusivos às denúncias contra o chefe da Casa Civil

Oposição saboreia ´pizzas Palocci` no Senado<br /><b>Crédito: </b> Beto Barata/AE
Oposição saboreia ´pizzas Palocci` no Senado
Crédito: Beto Barata/AE

A oposição organizou um protesto bem humorado na noite desta quarta-feira, no café do plenário do Senado. Eles pediram três pizzas e colocaram sabores irônicos impressos nas embalagens, entre elas a Pizza Palocci, para evitar que as denúncias envolvendo a evolução patrimonial do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, fiquem sem investigação.

O senador Cyro Miranda (PSDB/GO) foi quem promoveu o jantar da oposição, que discutia há horas no plenário sobre a aprovação da Medida Provisória (MP) 517, conhecida como MP Frankenstein. Os senadores batizaram as pizzas de "Palocci", "Luiz Garçom" e "MPs". "São os sabores do momento. As pizzas simbolizam o que o governo quer: que não se investigue nada", criticou Miranda. "As pizzas foram enviadas pela Casa Civil", provocou o líder do DEM, Demóstenes Torres (GO).

O senador Roberto Requião (PMDB/PR, um dos governistas que assinaram o pedido de CPI contra Palocci, foi um dos primeiros a experimentar as pizzas. "A qualidade da pizza está sendo examinada pelo Ministério Público", brincou. As explicações de Palocci sobre o aumento de seu patrimônio foram encaminhadas ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e aguardam o seu parecer.

Durante o dia, o DEM conseguiu aprovar a convocação de Palocci para explicar suas contas na Câmara dos Deputados, através da Comissão de Agricultura da Casa. Foi uma ação esperta da oposição e um cochilo dos governistas. A votação foi simbólica, mas o governo não conseguiu pedir verificação dos votos nominais. Isso ocorreu porque, minutos antes por uma estratégia da oposição, a comissão já havia realizado outra votação nominal. Pelas normas regimentais da Câmara, há o prazo de uma hora que precisa ser respeitado entre duas votações deste tipo.

À noite, contudo, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), suspendeu os efeitos da votação. Ele pediu até terça-feira para que a presidência da Casa analise o material sobre a votação e decida sobre a validade da convocação.

Agência Estado e Correio do Povo

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