1.5.11

Tentáculos tucanos minam o DEM

Disputas entre aecistas e serristas extrapolam os muros do PSDB e contribuem para o esvaziamento do partido de oposição

Uma disputa de bastidor entre José Serra e Aécio Neves implodiu o DEM. Desidratado pelas urnas, longe do poder e rachado, o partido agoniza por conta da crise manipulada à distância pelos líderes tucanos e pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).

Por trás da sangria, estão projetos políticos alheios ao partido e focados nas eleições de 2014. Enquanto Serra e Aécio nutrem a discórdia no DEM com a pretensão de atrair aliados para a eleição presidencial, Kassab deflagra uma diáspora para o PSD para se habilitar ao governo de São Paulo. As intrigas aumentaram em 2010, durante o processo de escolha do candidato tucano à Presidência, abrindo fissuras no DEM.

Derrotada, a ala pró-Aécio passou a última campanha presidencial às turras com Serra, inclusive desmobilizando parte da militância democrata. O revés nas urnas intensificou a animosidade entre aecistas e serristas.

A cúpula do DEM está segura de que os movimentos de Kassab são coreografados por Serra. Mesmo derrotado duas vezes para a Presidência, Serra mantém as esperanças de voltar a concorrer. No PSDB paulista, há quem acredite que ele estaria avaliando migrar para o PSD para sair candidato a presidente outra vez.

Aécio, por outro lado, vem imprimindo um ritmo frenético de articulações para pavimentar sua candidatura. Na Câmara, as digitais do mineiro conduziram o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) à liderança da bancada, desbancando o candidato do ex-líder Paulo Bornhausen (SC). A manobra acuou o grupo do ex-senador Jorge Bornhausen e levou o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, a dar um ultimato à direção do DEM: a fusão com o PSDB é a condição para que ele não migre para a legenda de Kassab.

A pressão de Colombo, costurada com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, irritou a atual cúpula do DEM, rival dos catarinenses. Nas últimas semanas, os deputados ACM Neto, Onyx Lorenzoni e Ronaldo Caiado (GO), chamados de “tropa de choque de Aécio” pelos serristas, enfileiraram almoços e conversas ao telefone para montar uma estratégia para segurar Colombo e evitar uma debandada em Santa Catarina.

– A proposta do DEM não trouxe nada de novo. O governador já deixou claro que, se não for concretizada a fusão, vai tomar outro rumo – diz Paulo.

Dentro do PSDB, a proposta de fusão é vista com ressalvas inclusive por aliados de Serra. Para o senador Aloysio Nunes (SP), a união não é viável sem resolver impasses paroquiais.

– Fusão agora em nome do quê? Depois da eleição de 2012, podemos abrir um diálogo sobre esse tema, inclusive, envolvendo o PPS – afirmou.

Diante da iminência de ver Kassab fortalecido, Aécio entrou em campo pessoalmente na quarta-feira para demover Colombo.

Aproveitando a crise da oposição para se fortalecer em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin tenta se viabilizar como alternativa para voos mais altos do que a reeleição. Sem aliados fora do Estado, ele tem tentado blindar o PSDB e o DEM paulistas.

Zero Hora

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