1.5.11

Tarso e a política do equilibrista

Para evitar conflitos, governo usa estratégia de intercalar o anúncio de medidas que possam desagradar a setores divergentes

Imagine um equilibrista avançando na corda bamba. Só que em cada ponta daquela vara – fundamental para manter o equilíbrio – há uma pilha de visões e interesses distintos, e o homem pende um pouco para lá, um pouco para cá, e assim vai seguindo. É como atua o governador Tarso Genro. Numa ponta, ele atende os sem-terra, o Cpers e as tradicionais bandeiras do PT, mas na outra acalenta empresários, latifundiários e “as elites” que o partido desprezava.

Decidido a evitar confrontos, Tarso tem ziguezagueado entre segmentos que nunca se acertaram. O exemplo mais recente dessa dualidade eclodiu na segunda-feira, quando o governo decidiu reabrir as escolas itinerantes do MST. Embora desagrade aos grandes produtores rurais, a notícia foi recebida com silêncio entre eles.

Em parte porque, dois dias depois, por intermédio da administração de Tarso, o Planalto anunciaria a liberação de R$ 360 milhões para combater a crise do arroz. Pouco antes, o Piratini havia espichado o prazo para quitar empréstimos do Banrisul.

Esse ecletismo sintetiza a atuação equilibrista de Tarso. É uma ondulação também visível em áreas como educação e funcionalismo.

– Ao mesmo tempo em que o preconceito contra o PT foi sendo superado, nosso preconceito com os outros também foi – justifica o secretário do Desenvolvimento Rural, Ivar Pavan.

Contra novas invasões, governador promete terra

Mais do que “vencer preconceitos”, diz um assessor de Tarso, o governo tem uma estratégia: procura planejar uma ação que agrade a um setor antes de anunciar outra que, em seguida, deverá irritá-lo. Pavan é o responsável por afagar os movimentos sociais, enquanto Luiz Fernando Mainardi, da Agricultura, adula os ruralistas.

Dias atrás, diz um interlocutor do Piratini, Mainardi foi consultar o governador sobre um projeto. Tarso já havia prometido assentar mil famílias de sem-terra, o que custará R$ 140 milhões, mas o secretário insistia num plano prevendo todo o resto, saneamento, energia, posto de saúde. O investimento saltaria para R$ 400 milhões. Tarso se assustou.

– Vamos primeiro nos preocupar com as terras. Se dermos terra, não podem invadir – concluiu o governador, se equilibrando como pode.

Zero Hora

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