1.4.11

Tarso coloca em dúvida conveniência de CPI

Governador fica incomodado com o uso da expressão “operação abafa” para definir ação do Piratini

Depois de a base do governo ter esvaziado a criação de uma CPI para investigar supostas irregularidades no Daer, o governador Tarso Genro questionou ontem a necessidade da comissão na Assembleia. Em entrevista, Tarso levantou dúvidas se a CPI não diluiria o trabalho do Ministério Público e geraria um “contencioso político falso”.

Tarso negou que o governo tenha montado um operação para abafar a CPI proposta pelo deputado Diógenes Basegio (PDT). A iniciativa de uma comissão de inquérito surgiu depois que uma reportagem da RBS TV, veiculada no Fantástico, revelou indícios de irregularidades em contratos de licitação do Daer para instalação de pardais no Estado.

Em 17 de março, com o início da coleta de assinaturas para o requerimento de criação da CPI, Tarso declarou em uma reunião-almoço com empresários que concordava com a investigação por parte da Assembleia, o que acabou dando aval para que a bancada do PT manifestasse apoio.

Ao ver que a criação da CPI realmente ganhava força, o governo agiu para dissuadir os deputados: alertou que uma CPI só serviria de munição para a oposição.

Na terça-feira, a Casa Civil anunciou a criação de uma força-tarefa composta por órgãos de controle, como o Ministério Público (MP), para buscar irregularidades no Daer. Ontem, Tarso frisou que considera que o “método correto de tratar esses assuntos” é o Executivo ter iniciativas para combater irregularidades. Ressaltou que, ao longo de sua vida pública, sempre adotou postura favorável às CPIs e que nesta é “absolutamente indiferente”:

– Estamos em um governo que não só não tem medo, como provoca um movimento do MP e TCE, num destampamento de todos os problemas que o Daer possa ter aqui a secretaria.

No entanto, acrescentou que no caso atual se trata de “promover ou não uma investigação do MP”, sem detalhar por que a CPI prejudicaria a investigação dos promotores. O governador criticou adversários que estariam contrapondo uma CPI ao Ministério Público. E afirmou:

– Se os deputados têm a prudência de aguardar o trabalho do Ministério Público, para depois verificar se a CPI vale a pena ou não, isso é uma questão da Assembleia que nós respeitamos.

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