 Cezar Peluso Crédito: elza fiúza / abr / cp |
| O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, e a corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, criticaram ontem a imprensa e afirmaram que o Judiciário tem de mostrar para a sociedade como trabalha para se defender das críticas que sofre. "Essa parece que tem sido uma tarefa que nem sempre o Judiciário brasileiro consegue desempenhar, a de explicar à opinião pública o que faz, de não ouvir passivamente aquilo que a opinião pública, mediante a mídia, pensa sobre o Judiciário", afirmou Peluso.
A ministra emendou: "O ministro Peluso disse muito bem que nós precisamos calar a imprensa que tanto vem falando sobre a atuação do Judiciário. Mas calar a imprensa não é com discurso. Nós só podemos mudar esse jogo apresentando números e trabalho". Horas depois, a ministra explicou o uso da expressão "calar a imprensa". "A minha fala foi no sentido de dizer aos juízes que as críticas da imprensa só podemos reverter mostrando resultados positivos e, dessa forma, a imprensa não terá mais o que falar."
Os dois reagiram a críticas sobre o fato de o Judiciário ter descumprido metas de julgamento fixadas no ano passado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mesmo tendo gastado mais. Levantamento divulgado na quarta-feira pelo CNJ, órgão que também é presidido por Peluso, mostrou que o Judiciário não conseguiu cumprir a meta de economizar nos gastos com papel, luz, água, combustível e telefone. Ao contrário, os gastos aumentaram.
Para Peluso, "os números não podem ser considerados em si mesmos". O presidente do STF e do CNJ disse ser importante mostrar para a opinião pública o que existe por trás dos números. Ele observou que a Justiça brasileira depende de condições materiais que nem sempre estão à disposição. "Não é possível considerar os números de modo absoluto." |
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