1.3.11

Governo federal suspende concursos até o final do ano

Ministérios das Cidades, Defesa e Educação são os mais afetados na revisão do orçamento de 2011

Apesar da intenção inicial de Dilma Rousseff de preservar os programas sociais e o PAC, o governo anunciou ontem um corte orçamentário que não poupou nem o programa Minha Casa, Minha Vida, uma das prioridades da presidente. Outro item do aperto que vai refletir na vida do brasileiro é a suspensão de concursos públicos federais durante 2011.

A equipe econômica também podou R$ 18 bilhões em investimentos, previstos nas emendas parlamentares. No total, o governo estipulou um corte de R$ 50,1 bilhões para 2011. O alcance das medidas foi detalhado ontem em entrevista concedida pelos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento). Segundo Mantega, as medidas foram concebidas para permitir o cumprimento das metas de superávit primário, segurar pressões inflacionárias e dar sustentação a um crescimento do PIB de 5,5% em 2011:

– O governo não está mudando a política econômica. Ela apenas está sendo adaptada ao novo cenário.

A maioria dos cortes está concentrada no custeio da máquina. Dos R$ 5 bilhões previstos para contratações de aprovados em concursos, R$ 3,5 bilhões serão contingenciados com a suspensão das nomeações. Mesmo as seleções previstas estão suspensas.

– Não haverá concursos este ano, nem os que estavam previstos. Só se houver alguma emergência – disse a secretária de Orçamento da pasta do Planejamento, Célia Corrêa.

Emendas parlamentares sofrem redução de 72%

A partir de hoje, técnicos da Fundação Getulio Vargas começam a analisar eventuais irregularidades nas despesas com pessoal. O governo também estima poupar outros R$ 5 bilhões no pagamento de benefícios previdenciários, abonos e seguro-desemprego.

Célia também afirmou que não haverá novos aumentos para servidores:

– Além disso, não tem como negociar novos reajustes além daquilo que já foi completamente acordado.

Os reajustes já negociados, no entanto, deverão ser cumpridos.

– Não vai haver nenhum tipo de calote este ano – garantiu Célia.

O ministério mais prejudicado foi o das Cidades, que perdeu R$ 8,5 bilhões dos R$ 21,1 bilhões programados. Defesa, Turismo e Educação também sofreram cortes, somando mais de R$ 10 bilhões. Só no Turismo, 85% dos recursos foram contingenciados.

A redução de despesas também penaliza deputados e senadores. As emendas, instrumento usado pelos congressistas para irrigar suas bases eleitorais com recursos da União, sofreram um corte de 72%.

Zero Hora

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