Criticado nos últimos anos por poupar críticas a ditadores, o governo brasileiro tentará passar, hoje, na ONU uma mensagem inequívoca: os direitos humanos estarão no centro da agenda de Dilma Rousseff, tanto em sua política interna quanto na política externa. Mas fará um alerta: o Brasil não aceitará que crises internacionais, inclusive a da Líbia, sejam tratadas de forma unilateral ou por invasões, mas defenderão sempre uma solução multilateral.
A mensagem será dada na reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, pela ministra Maria do Rosário, da secretaria de Direitos Humanos. O encontro marca a estreia do governo Dilma nos fóruns internacionais de direitos humanos. Tanto regimes autoritários quanto democracias não escondem a expectativa sobre a posição do novo governo brasileiro. "Vamos falar claramente que o governo da presidente (Dilma) tem os direitos humanos como o centro de sua política", afirmou a ministra, que discursará diante de chefes de diplomacia como Hillary Clinton, Catherine Ashton e William Hague. Segundo Rosário, a posição de destaque do país no cenário internacional será usada para promover essa ideia.
Nos últimos anos, o Brasil se absteve em votações sobre o Irã, Coreia do Norte e Sudão. Dentro do Palácio do Planalto, Itamaraty e da Secretaria de Direitos Humanos, há uma percepção clara de que erros ocorreram. O chanceler Antonio Patriota pediu que o Itamaraty fizesse uma reavaliação de sua posição em relação aos direitos humanos. No sábado, ao chegar a Genebra, Maria do Rosário optou por não criticar o governo Lula. Ela disse que, em 97% das resoluções que condenavam algum país, o Brasil votou a favor.
Correio do Povo
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