1.2.11

Briga por comando agita posse na Câmara

Favorito na disputa, o gaúcho Marco Maia reforça discurso corporativo


Os deputados federais tomam posse hoje, em Brasília, e elegem o comando da Câmara para os próximos dois anos em meio a um discurso corporativista dos dois candidatos, Marco Maia (PT-RS) e Sandro Mabel (PR-GO), e sem proposta concreta sobre a reforma política, tema considerado urgente, ou maior transparência do poder Legislativo. No último dia de campanha, os candidatos reforçaram ontem as promessas de construir um novo prédio para ampliar os gabinetes dos deputados, reajustes salariais mais frequentes e vinculados aos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal e a obrigatoriedade da liberação do dinheiro de emendas parlamentares feitas ao Orçamento da União pelo Executivo.

Mabel protocolou uma carta dirigida à presidente Dilma Rousseff defendendo as emendas individuais dos deputados. Marco Maia subiu o tom e retrucou dizendo que o "bom presidente não manda carta", mas tranca a pauta da Câmara quando as demandas dos parlamentares não são atendidas pelo Executivo. Na competição sobre quem defende mais o Legislativo, Mabel promete providências às críticas, fortalecendo a Procuradoria da Câmara. "Mexer com um deputado agora de forma injusta significa mexer com a presidência da Casa e não ficará sem a devida resposta."

A irritação dos deputados com ações do Tribunal de Contas da União também é motivo de promessa. "O tribunal terá seu papel complementar como órgão auxiliar do Legislativo e não o contrário, como acontece hoje." Maia não ficou atrás nas promessas. Ele disse que vai mudar a relação com os tribunais "que querem legislar" sobre questões já decididas pelos deputados, alterar a convivência com o Ministério Público, que muitas vezes "desrespeita" os parlamentares.

As promessas que movem a candidatura de Mabel levaram Maia a expor suas posições corporativistas para evitar ser ameaçado na disputa. Com o cenário mais do que favorável ao petista, com amplo apoio dos partidos políticos, Mabel, mesmo praticamente sem chances de levar a eleição para o segundo turno, pode ter mais votos do que o previsto pelos aliados dos adversários. Mabel afirmou ontem não estar preocupado com a possibilidade de o partido pedir sua expulsão, caso não desista de disputa com Maia.

Correio do Povo

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