PT volta ao poder no Estado com discurso moderado
Tarso Genro assume o governo visando reduzir o clima de confronto político

Tarso chega ao Piratini ao lado do vice, Beto Grill, com a meta de reduzir o clima de confronto político no Estado
Foto:Fernando Gomes
Doze anos depois de o PT assumir o governo do Estado pela primeira vez, o partido voltar ao poder buscando reescrever a própria história.
Respaldado por 54,35% dos votos no primeiro turno, Tarso Genro chega ao Palácio Piratini neste sábado com discurso mais moderado e uma articulação política mais ampla, em um cenário social e político completamente diferente do encontrado por Olívio Dutra.
>> Veja a história das posses no Estado em fotosAo introduzir no vocabulário político conceitos como coalizão e transversalidade, o novo governo pretende esquecer um passado associado a radicalismo, sectarismo e conflitos. Inspirado na experiência da Era Lula, do qual participou como ministro de quatro pastas, Tarso aposta no diálogo para buscar saídas negociadas.
Não foi só o PT que mudou. Com a vitória de Germano Rigotto (PMDB) — que rompeu a polarização entre Britto e o PT —, e os recordes de popularidade de Lula, a oposição também reviu o seu papel. Tanto que Cézar Busatto, um dos principais algozes do PT na época de Olívio, passou por um processo de moderação e hoje é um entusiasta do governo Tarso:
— A minha expectativa para o governo Tarso é a melhor possível — afirma, atribuindo sua mudança de postura principalmente ao "fator Lula", que "despolarizou a vida política do país".
Os novos tempos podem ser traduzidos por uma frase destacada pelo governador eleito em seu site pessoal, de autoria do pensador italiano Norberto Bobbio: "O que o labirinto nos ensina não é onde está a saída, mas quais os caminhos que não levam a lugar nenhum."
Sete problemas do governo Olívio — e como Tarso Genro pretende evitá-los:
1) Ideologização do Estado
Expressa tanto em detalhes (como a bandeira de Cuba na sacada do Piratini na posse) ou em episódios polêmicos (como a obrigatoriedade a servidores de atenderem ao telefone com a expressão "governo democrático e popular"), a guinada à esquerda do governo Olívio criou um clima de sectarismo.
— Como Tarso pretende evitar: desde o início da campanha, ele tem adotado um discurso moderado e agregador, buscando formar um governo de coalizão.
2) Refém dos movimentos sociais
Historicamente favorável aos movimentos sociais, o PT se viu refém das próprias crenças ao assumir o Estado. Um dos episódios que provocaram crise foi a descoberta de que servidores da Segurança tentaram impedir a repressão da BM à destruição do relógio dos 500 anos.
— Como Tarso pretende evitar: na linha do governo Lula, adotou a estratégia "amigos, amigos", "negócios à parte". Apesar de se dizer favorável à reivindicação dos movimentos sociais, Tarso diz que devem se dar no plano da legalidade.
3) Isolamento na AssembleiaCom minoria na Assembleia, Olívio teve dificuldades para aprovar medidas. A polarização era tão grande que sequer conseguiu aprovar a formação de uma frente gaúcha para buscar um acordo de renegociação da dívida com a União.
— Como Tarso pretende evitar: disposto a fazer concessões e a repartir o poder, Tarso conseguiu maioria na Assembleia, mas terá o desafio de mantê-la ao longo dos anos, com a delicada tarefa de acomodar os diferentes interesses dos partidos.
4) Aumento de ImpostosCom o Estado quebrado, Olívio enfrentou desgaste ao tentar aprovar projetos como a chamada "nova matriz tributária", para aumentar a arrecadação.
— Como Tarso pretende evitar: desfrutando de finanças mais equilibradas, pretende encaminhar no primeiro mês dois pedidos de empréstimo para aumentar a capacidade de investimentos, e se comprometeu a não aumentar impostos.
5) Caso FordNum dos episódios mais negativos do governo Olívio, que era contra a concessão de incentivos fiscais a empresas, a Ford deixou de se instalar no Rio Grande do Sul, como previsto, e se transferiu para a Bahia. Apesar de a questão ainda tramitar na Justiça, com uma manifestação favorável ao governo petista, o desgaste colou em Olívio.
— Como Tarso pretende evitar: o governador aposta em acordos internacionais com a União Europeia e o Mercosul e se diz disposto a fazer parcerias com a iniciativa privada.
PARA ACOMPANHARComo será a cobertura na internet, na TV e no rádio
ZEROHORA.COMTarso Genro — Ao vivo, via Cover it live, a partir das 8h. Os jornalistas Vivian Eichler e Paulo Germano passarão informações direto da Assembleia Legislativa e do Palácio Piratini, respectivamente. Rosane de Oliveira (@rosaneoliveira) e Letícia Duarte (@leticiaduarte) acompanham pelo Twitter.
Dilma Rousseff — Ao vivo, via Cover it live, a partir das 14h. Rosane de Oliveira e Letícia Duarte comentam no Twitter. Em Brasília, além dos integrantes da sucursal, a jornalista Marta Sfredo reforçará a equipe. Os repórteres de Brasília tuitarão os detalhes da posse em @diariosbrasilia
RBS TVCerimônia de posse de Dilma Rousseff a partir das 14h.
Canal RuralPosse presidencial, a partir das 15h.
TVCOMPosse de Tarso, às 8h, e de Dilma, às 14h.
RÁDIO GAÚCHA
Tarso Genro — A partir das 8h10min, com André Machado na apresentação. Reportagens de Josmar Leite (acompanha o governador eleito, Tarso Genro), Georgia Santos (Yeda Crusius), Léo Saballa Jr. (movimentação na Assembleia Legislativa) e Mauro Saraiva Jr. (populares). Comentários de Rosane de Oliveira.
Dilma Rousseff — A partir das 14h05min, com André Machado. O repórter Felipe Chemale é o enviado especial a Brasília, onde se junta a Rodrigo Orengo e Letícia Luvison. Comentários de Carolina Bahia e Rosane de Oliveira.
Zero Hora