O "Impostômetro" da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que mostra a arrecadação de impostos federais, estaduais e municipais, atingiu a marca de R$ 100 bilhões na última sexta-feira. Este ano, a arrecadação aconteceu quatro dias antes do registrado em 2008 e 2009.
Esse montante já havia subido para R$ 107,6 bilhões neste domingo. Em relação a 2005 o número veio mais cedo ainda. Há quatro anos atrás, a marca de R$ 100 bilhões foi alcançada dia 18 de fevereiro.
1.2.10
Economia - Impostômetro' bate R$ 100 bi quatro dias antes do registrado em 2008 e 2009
Política - Vídeo e jantar para homenagear Simon
Além dos lançamentos das candidaturas de José Fogaça e Roberto Requião, o Encontro Estadual de Verão do PMDB reservou homenagem ao presidente estadual do partido, senador Pedro Simon, que completou 80 anos. Ele foi o último a discursar no ato e, antes disso, assistiu a um vídeo que recordou a sua trajetória. Depoimentos gravados com parentes, amigos e companheiros causaram comoção. Depois, a festa prosseguiu numa churrascaria.
Política - Coordenadorias foram ouvidas
O encontro do PMDB em Capão da Canoa propiciou ao pré-candidato ao Palácio Piratini, José Fogaça, reunião com os representantes de 33 regiões do Estado. Ao lado do senador Pedro Simon (PMDB), Fogaça recebeu informações das zonais e também listas com reivindicações. Ainda sobrou tempo para a palavra de mobilização.
Política - Nominata proporcional está enfraquecida
A maior preocupação dos dirigentes do PMDB, no momento, é construir a nominata proporcional. O partido conta com apenas 84 pré-candidatos às vagas de deputado estadual e federal. A avaliação é de que a sigla envelheceu e não se renovou. O tesoureiro do PMDB, Rospide Neto, diz que o custo das campanhas afugenta os possíveis candidatos. Os dirigentes da legenda vão apelar para que a Juventude do partido apresente mais nomes.
Ensino - Apesar de lentidão no sistema, MEC manterá prazos do Enem
Muitos candidatos reclamam da dificuldade em concluir o processo de inscrições
Embora o Ministério da Educação (MEC) descarte a prorrogação do prazo de inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), muitos candidatos ainda reclamam da dificuldade em concluir o processo.
Pelo cronograma da primeira etapa de inscrições (veja quadro abaixo), quarta-feira é o último para acessar o site do Sistema de Seleção Unificada (SiSU) e concorrer às 47,9 mil vagas oferecidas em instituições públicas.
Um dos estudantes ainda em pé de guerra com o SiSU é a promotora de vendas Fernanda Beatriz de Oliveira, 28 anos. Até a tarde de ontem, ela não havia conseguido inserir seus dados. Acreditando estar com problemas no computador de casa, Fernanda utilizou equipamentos do trabalho e de uma lan house.
– Estou frustrada, pois estudei, fui relativamente bem e sei que esse é o único meio que tenho para entrar numa faculdade. A ansiedade aumenta cada vez mais – afirma a candidata ao curso de Administração.
MEC considera satisfatório o número de inscritos
O candidato Lucas de Souza Quevedo, 18 anos, passou pelo mesmo problema de Fernanda, mas teve mais sorte. As tentativas começaram na manhã de sexta-feira, quando o jovem acordou antes das 6h. Aflito, Lucas, que tenta pela quarta vez ingressar no curso de veterinária da Universidade Federal de Pelotas, permaneceu na página do SiSU até as 23h59min. Só conseguiu concluir a inscrição no sábado.
– Não dormi direito de sexta para sábado. Foi uma tortura– queixa-se.
O MEC informou que, até o final da tarde de ontem, havia 335 mil inscritos. De acordo com a assessoria de comunicação do ministério, o número de inscritos é considerado satisfatório, tendo como referência os 800 mil matriculados no último Programa Universidade para Todos (ProUni).
O cronograma
1ª ETAPA
- Inscrições – Até as 23h59min de quarta-feira
- Resultado – 5 de fevereiro
- Matrícula dos candidatos selecionados - 8 a 12 de fevereiro
- Lançamento da ocupação das vagas pelas instituições no SiSU - 8 e 13 de fevereiro
2ª ETAPA
- De 15 a 27 de fevereiro
ETAPA SUPLEMENTAR
- De 1º a 13 de março
Política - Vox Populi indica crescimento de Dilma
A mais recente pesquisa Vox Populi aponta redução da distância entre o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), na corrida presidencial.
O tucano leva vantagem, com 34% das intenções de voto, mas a diferença entre eles caiu para sete pontos percentuais. No levantamento anterior, de dezembro, Serra tinha 39% dos votos contra 18% da adversária. Entre as duas pesquisas, a favorita do presidente Lula cresceu nove pontos percentuais. O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) aparece com 11%.
A pesquisa, encomendada pela TV Bandeirantes, ouviu 2 mil pessoas em 23 Estados e no Distrito Federal, entre os dias 14 e 17 de janeiro. O levantamento tem margem de erro de três pontos percentuais.
Multimídia
Política - Com Fogaça candidato, Fortunati prepara governo
O vice-prefeito, que herdará comando de Porto Alegre, projeta trocas de nomes na administração
Lançado no sábado candidato a governador, o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, mantém a cautela e se preocupa agora com os detalhes da aliança com o PDT. Em outro ritmo, seu vice, José Fortunati (PDT), já prepara o período de transição e mudanças no governo.
A largada da campanha de Fogaça, que havia assumido a candidatura em dezembro, ocorreu no Encontro de Verão do PMDB, em Capão da Canoa. Com a renúncia do prefeito – com prazo final em 2 de abril –, a Capital ficará sob o comando de Fortunati até o final de 2012. Para o futuro chefe do Executivo, o ato de sábado foi um marco, e a situação está dada: independentemente das negociações entre os partidos, ele já trabalha para compor seu governo. Nesta semana, pretende chamar Fogaça para discutir a transição.
– Fogaça, PMDB e PDT estão construindo a aliança, e a primeira definição foi hoje (sábado) – disse Fortunati.
E completou:
– Sentarei com o prefeito na próxima semana e dialogaremos.
Há uma situação concreta: a divisão de secretarias e cargos entre os aliados no Paço, acertada por Fogaça, será mantida. Parte dos secretários deixará os cargos para concorrer. O vice pretende trocar os nomes – negociando com os partidos. Fogaça, porém, atua com mais cautela em relação à renúncia:
– Temos responsabilidade. Precisamos consolidar as alianças para encaminhar candidatura.
O prefeito afirmou que vai procurar a cúpula pedetista nos próximos dias. Presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Jr. ressalta as condições para a união: apoio do PMDB a um pedetista na disputa pela prefeitura em 2012 e alinhamento da campanha de Fogaça à candidatura da ministra Dilma Rousseff (PT) à Presidência.
– Nosso palanque nacional será de apoio único a Dilma. Não pode haver disparidade aqui – afirma Romildo.
A reação do PMDB no sábado não deixa dúvidas de que Fogaça representará o partido. O secretário-geral da legenda, Eliseu Padilha, organizou uma sequência de reuniões entre o candidato e representantes do PMDB nas 33 regiões do Estado.
Fogaça aproveitou para dar uma prévia do que será a campanha. Repetiu para os 11 grupos que “é preciso unir e pacificar o Estado”. Pregou que cabe ao PMDB liderar a coligação e alfinetou o PT ao dizer que a oposição “não sabe conviver e, por isso, está sempre condenada ao isolamento”.
À noite, no ponto alto do encontro, um ato que contou com a presença do pré-candidato a presidente e governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), serviu para lançar Fogaça e celebrar os 80 anos de Simon.
– Por mais que não quisesse (deixar a prefeitura), este ato de fé, de convicção política, numa voz uníssona, me fez estar comprometido com o PMDB – disse Fogaça.
O ex-governador Germano Rigotto ganhou um aliado de peso na disputa para ser candidato ao Senado: o próprio Fogaça.
– Rigotto, se tu não queres ser nosso candidato ao Piratini, quero te dizer que sou cabo eleitoral para te fazer senador – disse o prefeito.
ADRIANO BARCELOS
Multimídia
Política - Presidente da Assembleia gúcha admite falta de integração para combater o crime
Deputado estadual Giovani Cherini defende reunião entre os Poderes para avaliar ações conjuntas
Em resposta ao desabafo de um tenente-coronel da Brigada Militar sobre a situação da segurança pública, o novo presidente da Assembleia, Giovani Cherini, admite que falta uma integração maior entre os poderes para combater a criminalidade. O deputado estadual afirma que pretende discutir o tema em reuniões a serem marcadas com o Executivo, o Judiciário e o Ministério Público, entre outras entidades.
A intenção do presidente da Assembleia é marcar uma primeira reunião, em data ainda a ser definida, e depois disso realizar rodadas periódicas de discussão com os demais poderes para avaliar ações conjuntas.
— A segurança pública deve ser, se não a prioridade, uma das prioridades — promete.
Em uma entrevista publicada sábado em Zero Hora, o comandante do 11° Batalhão de Polícia Militar (BPM), Sérgio Lemos Simões, criticou a passividade de legisladores e juízes em relação à segurança pública — o que faz com que bandidos presos pela polícia fiquem pouco tempo atrás das grades.
Cherini reconhece, ainda, que projetos sugeridos pela própria Assembleia encontram dificuldade de aplicação depois de aprovados. O deputado é o autor do projeto que estabelece o monitoramento eletrônico de apenados por meio de tornozeleiras eletrônicas, que ainda não saiu do papel.
Política - Lula volta hoje à rotina de viagens e solenidades
Depois do susto da crise de hipertensão da última quarta-feira, o presidente Lula retoma hoje a agitada agenda de viagens de campanha e inaugurações. Durante a semana, ele volta a participar de solenidade de abertura de escolas técnicas entregues no ano passado e viaja para a Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, e à região Metropolitana de Porto Alegre, na sexta-feira.
Na manhã de sábado, ele passou por uma bateria de exames do coração em São Paulo e voltou para Brasília no começo da tarde. Com autorização dos médicos, o presidente volta a despachar nesta segunda de manhã no Palácio da Alvorada. Às 10h, ele participará de solenidade que marca o início do Ano Judiciário, no Supremo Tribunal Federal. Participam do evento os presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
À tarde, Lula recebe no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória da Presidência, os novos embaixadores, em Brasília, da Coreia do Sul, de Cuba, do Panamá e do Paquistão. Por volta de 18h, participa de solenidade relativa a inaugurações de escolas técnicas ao longo de 2009. Ele decidiu que a abertura de escolas de ensino profissionalizante será um dos motes das propagandas de realizações de seu governo. Na terça-feira, Lula se encontrará com pilotos da Fórmula Indy e depois recebe representantes de entidades sociais da área de tecnologia. Com o grupo, o presidente discutirá o Plano Nacional de Banda Larga.
Mesmo com pedidos médicos para reduzir o ritmo de viagens, o presidente viaja na quarta-feira para o Rio de Janeiro. Na quinta, Lula participa de audiência de apresentações de credenciais de novos embaixadores. Lula encerra a semana com sobrevoo em canteiros de obras de casas populares em São Leopoldo e da inauguração de uma fábrica de semicondutores em Porto Alegre.
Atraso muda previsão de chegada ao Brasil de turistas ilhados no Peru
Avião da FAB deve pousar às 5h30min, trazendo 62 brasileiros
Grupo de brasileiros momentos antes de deixar o Peru
Foto:FAB, divulgação
Um atraso mudou a previsão de chegada dos 62 brasileiros resgatados por um avião da Força Aérea Brasileira após ficarem ilhados na região de Aguas Calientes, no Peru. A previsão inicial era de que o voo pousasse às 4h no Aeroporto do Galeão, mas a escala técnica em Rio Branco demorou mais que o previsto e o Hércule C-130 só deve aterrissar no Rio de Janeiro ás 5h30min.
A embaixada brasileira no Peru informou que todos os brasileiros que estavam na região isolada, no total de 278, foram resgatados. Não há mortos nem feridos. Os que não voltarem no avião FAB já conseguiram retornar ao Brasil em voos comerciais ou decidiram continuar o roteiro de férias em outros países, de acordo com a embaixada.
A lista dos interessados em entrar no voo da FAB foi elaborada pelos próprios turistas e levou em consideração quem tinha mais necessidade.
As fortes chuvas destruíram rodovias, ruas, pontes e a única estrada de ferro que ligava Cuzco a Machu Picchu, além de causar a falta de água, energia e comida. Estimam-se perdas de plantações, principalmente de milho, em 14 mil hectares de terras.
Economia - Davos acaba sem consenso para gerar empregos e evitar nova crise
Fórum Econômico termina com ampla percepção de que uma frágil recuperação está em andamento
O Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, terminou neste domingo com ampla percepção de que uma frágil recuperação está em andamento, mas sem consenso sobre o que irá gerar crescimento do emprego e evitar outra crise econômica global.
No encontro de cinco dias que reuniu figuras poderosas mundiais e de grandes egos foi possível constatar alguma humildade e também o reconhecimento de que a superação da crise financeira mundial é como estar em águas desconhecidas.
Cerca de 2,5 mil figurões reunidos nos Alpes Suíços participaram de debates acalorados abordando questões sobre maior regulação da indústria financeira; sobre como estimular o desemprego global e encontrar formas para garantir que a nascente recuperação continue nos trilhos ao longo de 2010.
A atmosfera sombria que prevaleceu na edição passada do fórum, durante o ápice da crise econômica, foi substituída este ano por um sentimento de certa satisfação de que uma modesta recuperação está ocorrendo, mas também por incerteza sobre o futuro e sobre como os bancos deveriam responder.
O presidente do Deutsche Bank, Josef Ackermann, disse que o pior da crise foi administrado "com sucesso", mas afirmou que os executivos agora têm de fazer uma escolha difícil: "Devemos tomar mais risco, ser uma força criativa para o crescimento, ou devemos focar em segurança?", questionou.
Peter Sands, presidente-executivo do Standard Chartered Bank, ponderou em um debate que o equilíbrio deve ser alcançado "entre um sistema bancário mais seguro e um sistema financeiro que possa dar suporte ao dinamismo e ao à criação de emprego". "Se errarmos de um lado, arriscamos ter uma nova crise. Se errarmos de outra forma, esvaziamos a recuperação e reduzimos as chances de criarmos novos postos de trabalho", afirmou.
Sands acrescentou que todos devem ter "um grau de humildade sobre o que realmente sabemos e quão confidentes podemos ser se as ideias que colocaremos em ação irão ter as consequências que imaginamos que teriam".
O foco em fóruns passados estava em celebridades como Angelina Jolie e Bono, mas, neste ano, recaiu em banqueiros e reguladores Diversos participantes chamaram atenção para a ausência de figuras de alto escalão da administração Barack Obama, dos Estados Unidos. Do país, esteve presente Lawrence Summers, diretor do Conselho Econômico da Casa Branca.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, pediu o retorno da ética e da moralidade nos negócios e repreendeu o capitalismo do livre mercado. O fundador do fórum, Klaus Schwab, encerrou o evento pedindo aos empresários e governantes para refletirem "sobre valores" e responsabilidade social.
Sarkozy disse aos banqueiros e executivos o que estes não queriam ouvir:
Aceitar limites aos bônus, regulação bancária mais rígida e novas regras contábeis. A fala do francês ecoou protestos de trabalhadores dos Estados Unidos, Europa e Ásia. Horas antes, Obama pedia reformas para Wall Street.
O que pode ter sido o encontro mais importante destes cinco dias não estava agendado. Ocorreu no sábado em paralelo ao Fórum quando os reguladores de diversos governos, ministros das finanças e banqueiros centrais dos Estados Unidos e da Europa divulgaram os planos para reforma financeira durante o encontro de duas horas com executivos do setor bancário.
Sands, do Standard Chartered Bank, classificou as discussões como "muitos construtivas", mas disse que, "de uma forma, as questões não foram resolvidas, mas certamente houve avanços". Ackermann, do Deutsche Bank, elogiou os principais agentes econômicos por expandirem o G-8 em G-20. Ele afirmou que deveria haver também um grupo dos 20 do lado dos empresários para trabalhar em conjunto com o G-20 e focar em questões de negócios
Para Azim Premji, presidente Wipro Limited, uma empresa de comunicação global, previu que a diferença entre as taxas de crescimento de países em desenvolvimento e desenvolvidos "vão ser maiores". O resultado, acrescentou ele, é que os países mais ricos irão investir "mais agressivamente" nos mercados emergentes com objetivo de manter seu próprio crescimento econômico, o que também deverá ser "bom para o mundo emergente".
BM cobra explicações de oficial que pede segurança no Rio Grande do Sul
Comando-geral da corporação não gostou das declarações de tenente-coronel que criticou o "prende e solta"
Sérgio criticou a impunidade, se disse inseguro e cobrou ação do Judiciário e do Legislativo
Foto:Diego Vara
O desabafo de um oficial da Brigada Militar indignado com a falta de segurança resultou em um debate sobre a luta contra o crime no Rio Grande do Sul. A entrevista em que o tenente-coronel Sérgio Lemos Simões manifesta inquietação com os índices de criminalidade e cobra ação de juízes e deputados, publicada por Zero Hora no sábado, motivou centenas de comentários de leitores e manifestações de autoridades.
Hoje, porém, o comandante da BM, coronel João Carlos Trindade, deverá determinar ao oficial que suspenda as declarações contundentes.
A reação à entrevista concedida a ZH surpreendeu o próprio tenente-coronel, comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar (BPM), com atuação na zona norte da Capital. Ele revela ter ficado acordado até a madrugada de ontem acompanhando os comentários de leitores publicados no site zerohora.com.
– Foi incrível, teve mensagem até dos Estados Unidos. Muita gente dizendo que eu falei o que elas gostariam de falar – afirmou o militar.
Antes do final da manhã, surpreendeu-se com a cifra de quase 300 opiniões registradas na internet – até o final do dia, se aproximariam de 500. Ao longo do sábado, passado na praia, recebeu cumprimentos até dos vizinhos. Foram mais de 50 ligações em seu celular – entre elas, uma do secretário estadual de Planejamento e Gestão, Mateus Bandeira.
– Achei muito bom que a manifestação do tenente-coronel tenha gerado esse debate, que ele tenha falado com tanta clareza e honestidade – sustentou Bandeira.
Como consequência, o secretário pretende convidar o oficial, nos próximos dias, para discutir de que maneira sua pasta pode contribuir com iniciativas relacionadas à segurança pública. A transparência de Sérgio Lemos Simões, que, dizendo falar como cidadão, criticou a facilidade com que criminosos presos pela corporação acabam soltos por ordem judicial e confessou não se sentir seguro em Porto Alegre, ainda mereceu elogios do coordenador do Fórum do Ambiente Institucional e Regulatório da Agenda 2020, Everton Marc.
– O desabafo do comandante é o mesmo que a sociedade gostaria de fazer, mas não tem nem onde, quando ou como fazê-lo – afirmou.
Apesar da onda de apoio ao militar, o comandante da BM deverá conversar com o subordinado e pedir que evite dar novas declarações públicas que tenham conteúdo potencialmente explosivo.
– O membro de uma corporação deve ter cuidado ao falar porque poder gerar desconforto com as demais instituições – observou o comandante (leia entrevista na página ao lado).
Ontem à tarde, o tenente-coronel mantinha a esperança de que a contundência de suas declarações ajudasse a deflagrar um processo de discussões mais profundas sobre o tema da segurança. Sobre a intenção do comando de evitar novas entrevistas polêmicas, resumiu:
– Vou acatar o que o comando determinar.
As reações
ZAÍRA WESTPHALEN DA COSTA, PROFESSORA, SANTA MARIA
Internautas e leitores de Zero Hora comentam a polêmica entrevista publicada na edição de sábado
‘‘Traduz, fielmente, tudo os que não têm voz sentem. E o deputado Ivar Pavan, como sempre, em lugar de buscar soluções, transfere a responsabilidade para desgastar, ainda mais, o governo que não é do PT.”
REGINA SANTOS DA SILVA, FUNCIONÁRIA PÚBLICA, PORTO ALEGRE
‘‘Aviltante é o jogo de empurra-empurra entre os poderes Legislativo e Judiciário, responsabilizando os policiais.”
ANTONIO BRASIL MEDEIROS SILVA, PROFESSOR, PORTO ALEGRE
‘‘Clara, coerente, lúcida e, acima de tudo, tradutora do pensamento das pessoas de bem, permanentemente ameaçadas e sofrendo a violência dessa malta de desocupados que dominam as grandes cidades sob o beneplácito daqueles que deveriam proteger a sociedade.”
LUIZ ALBERTO ZEILMANN, ADVOGADO, PASSO FUNDO
‘‘Demonstra a insatisfação do cidadão comum com a segurança pública do Estado. Todavia, jamais poderia, tal opinião, ser de uma autoridade policial. O tenente coronel sabe que existem milhares de mandados de prisão em mãos da polícia sem serem cumpridos e se isso fosse feito o Estado não teria local nem condições de abrigar os presos.”
DELAMAR MOREIRA DOS SANTOS, PILOTO, PORTO ALEGRE
‘‘Agora só falta o comandante ser exonerado ‘por questões administrativas’ como ocorre com uma ou outra autoridade que se manifesta de forma corajosa.”
JEFERSON LUÍS REZENDE, ADMINISTRADOR, GUARAPUAVA (PR)
‘‘Refletem exatamente como nos sentimos também no Paraná e, certamente, em qualquer ponto do Brasil. É mais do que óbvio que precisamos de uma grande operação, inspirada no que foi realizado em Nova York, por exemplo. Precisamos de novas leis, de um novo Código Penal, de um novo Estatuto da Criança e do Adolescente e de salários dignos para os policiais.”
MARCELO, PORTO ALEGRE
‘‘A análise do entrevistado é simplória e reducionista. O ponto de vista da polícia é importante, não há dúvida quanto a isso, mas existem ‘n’ fatores que explicam a criminalidade e que fogem ao desabafo de apelo fácil e demagógico do senhor Sérgio.”
JOÃO PEDRO DE MOURA JARDIM, PORTO ALEGRE
‘‘Até quando vagabundos terão o direito de circular livremente entre nós, cidadãos que cumprimos a lei, que pagamos impostos, trabalham e temos famílias? Relações amorosas, familiares e de amizade são destruídas em segundos por delinquentes impunes, que vagam entre nós, na certeza da impunidade. O que está acontecendo, será que a marginália precisará começar a invadir os palacetes e os condomínios fechados dos legisladores para que se tomem providências? Estamos em um declínio acelerado.”
JORGE ALFREDO, PORTO ALEGRE
‘‘O coronel, adentrando em uma seara que não é a sua especialidade – legislar –, pretende reduzir a maioridade penal. Os que defendem (a redução) esquecem que isso não vai resolver. Pior, não vai nem mesmo diminuir o problema. Vai é criar outro. Se for reduzida para 16 anos, por exemplo, serão aliciados para o crime quem tem 15, 14 anos.”
LUIS ANTONIO DE LELIS GOMES BARBOSA, EMPRESÁRIO, ROSÁRIO DO SUL
‘‘A insegurança é geral e vejo que a postura dos poderes terá de mudar, porque não dá mais para ver marginal sendo preso e solto no mesmo dia depois de mais de oito reincidências pelo mesmo delito.”
Política - Cúpula nacional acompanha lançamento de Requião
Peemedebistas lançaram Requião à Presidência
Crédito: fabiano do amaral
A atividade realizada pelo PMDB no sábado, em Capão da Canoa, marcou também o lançamento do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), à Presidência, contrariando os interesses da cúpula nacional do partido, que encaminha aliança com a ministra Dilma Roussef (PT) e a indicação de Michel Temer como vice. Por esta razão, chamou a atenção a presença do senador Wellington Salgado (PMDB-MG), integrante do grupo de José Sarney (PMDB-AP). Salgado não era esperado e virou tema das rodas de conversas dos peemedebistas. Compondo a mesa de condução dos trabalho, ele ouviu críticas severas direcionadas aos seus companheiros no decorrer dos discursos de lideranças e militantes. "Vigaristas" e "fisiologistas" foram algumas das expressões utilizadas para denominar a cúpula do PMDB.
O senador disse que não veio ao Estado como representante da cúpula nacional. "Eu tenho acesso à cúpula, mas não os represento. Vou relatar para eles o que estou vendo aqui." Ele comentou o sentimento de entrar em terreno ''inimigo'', apesar de estar diante de correligionários. "Não considero um ambiente hostil, mas com ideias diferentes. Tive que ter coragem de encarar", comentou. Requião mostrou confiança e afirmou que a maioria dos diretórios do PMDB apelam por candidatura própria. Ele recebeu apoio da ala catarinense do partido.
Política - Fogaça quer garantir apoio do PDT nesta semana
Prefeito disse em evento no Litoral que deseja fechar logo a aliança ao Piratini
Fogaça afirmou que será candidato em outubro para 'pacificar o Rio Grande do Sul'
Crédito: Fabiano do amaral
Pré-candidato ao Palácio Piratini, José Fogaça (PMDB) já traçou o objetivo a ser alcançado no decorrer desta semana: selar a aliança com o PDT para a disputa do pleito de outubro. Para cumprir a meta, Fogaça admite que será necessário procurar, com urgência, a cúpula trabalhista para discutir plano de governo, composição de secretariado e ampliação da aliança. "Sem dúvida, é verdade. Eu vou procurar o Romildo para acertarmos tudo", afirmou, referindo-se ao presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Jr. As manifestações de Fogaça, feitas durante o Encontro Estadual de Verão do PMDB, realizado no sábado, em Capão da Canoa, deram a absoluta certeza de que ele irá renunciar ao mandato de prefeito da Capital no dia 3 de abril, deixando o cargo com José Fortunati (PDT). "Estou comprometido com o projeto do PMDB. Sei que ninguém governa sozinho e, por isso, quero construir uma grande aliança para concorrer ao governo do Estado", discursou, sendo ovacionado por milhares de militantes da sigla que se espremeram pelos corredores da Casa de Cultura Érico Veríssimo, sede do evento no Litoral gaúcho.
O PDT, que deverá indicar o deputado federal Pompeo de Mattos ao posto de vice-governador na chapa de Fogaça, foi representado no ato pelo deputado estadual Ciro Simoni. Ele deixou claro que a coligação entre os partidos está acertada. "Fogaça tem sido um parceiro do PDT na prefeitura. Continuaremos nesta caminhada para, quem sabe, elegê-lo ao governo do Estado", confirmou. Representantes do PTB e do PSC também prestigiaram a atividade peemedebista. Entretanto, a presença do PTB na coligação está praticamente descartada. "Eles vão trilhar outro caminho", admitiu uma liderança peemedebista.
Economia - FMI criará Fundo Verde
O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou ontem a criação de um Fundo Verde de 100 bilhões de dólares. O diretor gerente da instituição, Dominique Strauss-Kahn, informou no Fórum Econômico de Davos, Suíça, que o fundo será destinado a financiar projetos com baixa emissão de carbono.
Strauss-Kahn afirmou que a proposta finalizada será divulgada pelo FMI em poucas semanas. De acordo com informações divulgadas na página da instituição na Internet, o chamado Fundo Verde poderia ser criado, em parte, com emissões em Direitos Especiais de Saque (DES), um ativo de reserva internacional criado pelo FMI. As discussões para o financiamento do fundo serão feitas com banqueiros centrais e ministros das Finanças de países associados da instituição.
Em um debate no último dia de Davos, Strauss-Kahn disse que os países em desenvolvimento não têm os recursos para financiar as medidas necessárias para lidar com a mudança climática, enquanto os países desenvolvidos estão com uma grande carga de dívida pública como consequência do combate à crise econômica mundial. Os recursos do Fundo Verde auxiliariam o avanço de um modelo de crescimento econômico com baixa emissão de carbono, à medida que os países se recuperam da crise econômica global e ainda enfrentam desafios derivados da mudança climática, acrescentou o diretor gerente.
Na opinião de Stauss-Kahn, o financiamento para lidar com os desafios impostos pelas questões climáticas "não pode ser visto como um problema insolúvel. Temos todas as condições para agir e vencer estas dificuldades".
Economia - Davos deixa dúvida sobre incentivos
A grande pergunta de bilhões de dólares proposta aos economistas, empresários e autoridades congregados na última semana pelo Fórum Econômico Mundial continua sem resposta: qual o momento certo para desmontar os incentivos usados pelos governos para atenuar os efeitos da recessão? Chineses, indianos, brasileiros e outros emergentes têm perspectivas de firme crescimento neste ano, mas a recuperação nos Estados Unidos e na Europa ainda é insegura e ninguém sabe quando o setor privado poderá caminhar sem apoio dos governos. O problema da decisão foi bem resumido pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn.
Se os estímulos forem mantidos por tempo demais, a dívida pública irá para as alturas e o ajuste do orçamento será muito difícil. Se forem retirados antes da hora, a economia poderá afundar de novo e, nesse caso, poderá faltar munição para os governos, porque o estoque de incentivos já foi amplamente usado.
Conclusão: o primeiro erro será menos custoso do que o segundo. Mas também não será desprezível, e o presidente Barack Obama tem chamado atenção para isso. A arrumação das contas será mais fácil com a economia de novo em crescimento, e assim mesmo será dolorosa.
A solução do segundo problema, o mais importante a longo prazo, dependerá das políticas seguidas nos EUA e na China. A economia americana continua sendo, de longe, a maior do mundo. A chinesa continua crescendo aceleradamente expandiu-se 8,7% no 2009 e poderá ultrapassar a japonesa e chegar ao segundo posto. As decisões tomadas nesses dois países poderão afetar todos os demais.
A relação EUA-China resume os principais desequilíbrios internacionais. Só será atenuado se os americanos, incluído o governo, pouparem mais e dependerem menos de financiamento externo. A China, com reservas próximas de US$ 2,5 trilhões, detém o maior volume de títulos americanos fora dos EUA. Com isso, tem financiado por muitos anos a farra de consumo dos americanos, principais compradores de produtos chineses.
O ajuste começou em 2009, forçado pela crise. Os consumidores americanos, desempregados e empobrecidos, tornaram-se mais cautelosos, até por falta de crédito. O crescimento chinês dependeu menos das exportações e mais do consumo interno e dos investimentos em infraestrutura, financiados com dinheiro público. O pacote de estímulos chinês ficou próximo de US$ 600 bilhões.
O vice primeiro-ministro da China, Li Keqiang, declarou a intenção de seu governo de reorientar a política nessa direção, consolidando um novo estilo de crescimento, menos dependente das exportações. Mas a valorização do yuan uma reivindicação de todos os parceiros comerciais do país continua fora da agenda chinesa. Por enquanto, e ninguém sabe por quanto tempo, o yuan continuará flutuando juntamente com o dólar, para infelicidade dos empresários brasileiros, americanos, europeus e muitos outros.
A terceira grande questão, a da reforma do sistema financeiro, parece encaminhada para uma solução, mas sua implementação será complicada. As linhas básicas foram desenhadas pelo Conselho de Estabilidade Financeira, por determinação do G-20 e incorporadas no arsenal de regras do Banco de Compensações Internacionais,, o banco central dos bancos centrais. Em países como os EUA, os governos estão sob pressão para enquadrar rapidamente os banqueiros. O presidente Obama tenta responder a essa pressão. Mas é preciso, insiste Strauss-Kahn, coordenar a reforma entre os vários países, para evitar tratamentos diferenciados e novos desajustes nos fluxos de capitais. Administrar essa operação será um duro trabalho para o G-20.

