Terceiro dia de greve: as agências que aderiram ao movimento estão mantendo apenas a parte de autoatendimento. Já algumas da Caixa Econômica, estão totalmente paralisadas
FOTOS: KID JÚNIOR
A paralisação segue, sem previsão de término. Até ontem, não houve negociação entre a categoria e os banqueiros
A greve deflagrada pelos bancários na última quarta-feira - em pleno fim de mês, período que grande parte da população recebe o salário - está causando insatisfação entre os correntistas. A doméstica Carmem Maria de Sousa Gomes, 66, por exemplo, reclama que a paralisação prejudica muito a população, principalmente os aposentados, que têm compromissos a cumprir.
Já a diarista Lidiane Sousa Silva, 28, declara que não é contra nem a favor. "Eles estão no direito de fazer greve, mas deveriam colocar alguém para receber os pagamentos, muita gente vem de longe e da viagem perdida", se queixou.
Reivindicações
Enquanto a categoria reivindica 11% de reajuste salarial e igual valor para o vale-refeição, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) oferece 4,29%. Bosco Mota, funcionário do Banco do Brasil e membro da diretoria do Sindicato dos Bancários do Ceará, afirma que o reajuste reivindicado é pequeno, diante do percentual de 32% de lucratividade dos banqueiros. "Daqui a pouco vamos ter que pagar para trabalhar", denunciou.
No interior, quase todos os bancos federais estão parados. Em Fortaleza e na Região Metropolitana, as agências do Banco do Brasil fecharam. Já os bancos privados, estão parcialmente paralisados, informou Bosco Mota.
De acordo com o Sindicato dos Bancários, ontem o destaque foi a intensa adesão dos bancos privados. À tarde, a equipe de reportagem constatou, só na Avenida Santos Dumont, que os bancos Safra, Santander, Bradesco, Real e Rural foram alguns dos que aderiram ao movimento. Já agências federais do Banco do Brasil e Caixa Econômica, segundo Bosco, tiveram 55% a 60% de adesão.
Telmo Nunes, diretor do Sindicato e funcionário do Bradesco, lembra ser normal que a população fique surpresa nos primeiros dias de greve, mas que logo entende e apoia o movimento quando os bancários apresentam suas reivindicações. "É triste a falta de compreensão do setor patronal, principalmente do setor financeiro, que tem lucrado bilhões, mas não faz uma campanha salarial decente com os trabalhadores", disse Telmo, em matéria publicada no site do Sindicato.
Hoje, acontecerá uma reunião organizativa para mobilizar a categoria e na segunda-feira, 4 de outubro, os bancários realizarão uma assembleia para avaliação da greve.
Abance
Na noite de ontem, a equipe de reportagem entrou em contato com o assessor jurídico da Associação de Bancos do Estado do Ceará (Abance), Lúcio Paiva, que disse apenas que não estava por dentro das negociações.
Enquete
O que eles pensam?
"Eles estão reivindicando o salário, que está defasado, eu sei que causa transtornos, mas a população tem que entender."
Francisco de Assis Macedo
63 anos
Aposentado
"Sou contra, tem médicos que ganham muito menos e nem por isso estão fazendo greve. Já eles vivem fazendo."
José Pereira da Silva
48 anos
Comerciante
TRANSTORNOS
Usuários ficam no prejuízo
No segundo dia de paralisação dos bancários, é grande o número de transtornos gerados aos usuários. Nas agências que aderiram ao movimento, somente a parte do autoatendimento está funcionando. No entanto, a principal reclamação de populares é com relação aos caixas eletrônicos, que estão em grande número parados, sem funcionar.
Esta foi a reclamação do professor Carlos Dantas, 51, que na tarde de ontem tentou mudar uma senha na Caixa Econômica Federal da Bezerra de Menezes e não obteve êxito. "A greve até pode continuar, desde que todos os caixas rápidos estejam funcionando, porque aqui estão todos parados. A situação é a mesma em todas as agências. A gente tem que pagar contas, sacar dinheiro, verificar umas transações e olha aqui: está tudo parado. Até para registrar uma senha de cartão a gente não consegue", protestou, visivelmente indignado.
Já o sonoplasta Jorge Luiz, 37, que mora no Benfica, contou que teve que se locomover do seu bairro para a agência da Bezerra de Menezes, porque todos os caixas eletrônicos do banco no Shopping Benfica estavam sem funcionar. "O pessoal está todo voltando, as máquinas estão todas apagadas. Aqui, de 20 máquinas, só três ou quatro estão funcionando. Isso é um absurdo! Os meus pagamentos são todos na Caixa e desse jeito fica praticamente impossível. Eles dão como opção as Casas Lotéricas, mas elas já são lotados por natureza", reclamou.
Situação complicada é a do motoboy Claudemir Rocha Costa, 28, que, diariamente, visita cerca de quatro bancos diferentes para efetuar pagamentos da empresa que trabalha. Apesar disso, ele se mostra dividido. "Por um lado sou a favor, porque eles estão reivindicando o direito deles. Por outro, sou contra, porque o cidadão é que fica prejudicado. A gente depende dos bancos", justificou.
Alternativas
Em tempos de greve, Costa disse que as opções que restam é efetuar os pagamentos nas Farmácias Pague Menos, nas Casas Lotéricas, em Bancos Populares ou pela internet. Mas, quando trata-se de um cheque para descontar, a situação complica. A consequência é que o boleto atrasa e depois tem que paga com juros. "Trabalho numa loja de móveis, mas para entregar a mercadoria sem a compensação do cheque é arriscado, podemos levar um cano e quase sempre o cliente tem pressa", relatou.
0 comentários:
Postar um comentário