Os grandes pensadores da humanidade deram à gratidão e à ingratidão as mais diversas definições, mas todos convergiram para um conceito básico comum a ambas.
Sobre gratidão, Cícero disse: "Nenhum dever é mais importante do que a gratidão". Esopo verberou: "A gratidão é a virtude das almas nobres". Ou, então, como disse Antístenes: "A gratidão é a memória do coração".
Ao contrário, sobre ingratidão, Charles Pinot Duclos define: "A ingratidão consiste em esquecer, desconhecer ou reconhecer mal os benefícios e se origina da insensibilidade, do orgulho ou do interesse."
Neste conceito de ingratidão, vislumbro a obra e o trabalho desenvolvido por Tarso de Moraes Dutra. Nascido em Porto Alegre em 15 de maio de 1914, considerava-se filho de Júlio de Castilhos, tornando-se, portanto, um dos Castilhenses mais autêntico e mais ilustre. Seu vínculo com o município ocorreu em razão de que seu pai - Vicente de Paula Dutra - ao se formar escolhera Júlio de Castilhos para o exercício da profissão de médico.
Advogado, foi Chefe da Casa Civil, Ministro da Educação e Cultura, Secretário de Estado, Deputado Estadual (1947 a 1951), Deputado Federal (1951 a 1971) e Senador da República (1971 a 1983). Faleceu em 05 de maio de 1983, em Porto Alegre.
Apesar do vínculo afetivo com a cidade e a região, o nome de TARSO DUTRA foi esquecido nas comemorações dos 119 anos de emancipação de Júlio de Castilhos e nos festejos dos 50 anos da Universidade Federal de Santa Maria (primeira universidade federal do interior do Brasil). Uma falha lamentável. Uma ingratidão.
Nos anais da UFSM, consta: “O acréscimo de cinco artigos no texto da Lei 3.834-C permitiu que a UFSM fosse criada, em 14 de dezembro de 1960, em solenidade na cidade de Goiânia/GO. O objetivo inicial da lei em questão era criar a Universidade Federal de Goiás, cuja iniciativa partiu do então presidente Jucelino Kubitschek. A inclusão dos artigos que tratavam da UFSM foi iniciativa de um gaúcho dedicado à luta pela interiorização do ensino e pela criação de uma universidade em Santa Maria. Tarso de Moraes Dutra, advogado e político porto-alegrense, pela constante preocupação com a UFSM, tornou-se uma grande personagem na história da instituição. O deputado conseguiu acrescentar os artigos referentes à UFSM, mas, mesmo assim, manteve-se em silêncio quanto à grande possibilidade que surgia - apenas José Mariano da Rocha Filho foi informado. Inesperadamente, em novembro de 1960, Tarso Dutra chegou a Santa Maria para comunicar às autoridades da Associação Pró-Ensino Superior de Santa Maria (ASPES) e das Faculdades locais o êxito na emenda.”
Lembrar a importância de TARSO DUTRA para o Rio Grande do Sul e para o Brasil é um gesto necessário de reconhecimento pelo que ele fez e pela forma de fazer, mas, especialmente, é um gesto de gratidão perene para com um dos próceres da história do Brasil.
(*) Advogado
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