1.8.10

Infidelidade ronda partidos e confunde alianças

O enfraquecimento dos partidos e o esvaziamento ideológico está ocasionando um amplo movimento de dissidências nos pleitos ao Piratini e à Presidência. A eleição da infidelidade, como tem sido chamada pelos partidos, tem causado situações constrangedoras por conta de políticos que contrariam a aliança das suas siglas para privilegiar interesses pessoais, regionais e, em menor escala, por convicção ideológica. Na disputa presidencial, a situação mais evidente envolve o PMDB. O diretório gaúcho informalmente apoia José Serra (PSDB) à Presidência, contrariando a aliança nacional com Dilma Rousseff (PT).

Outras legendas, como PDT, PP, PSB e PTB, contabilizam dissidências nas eleições ao Piratini e ao Planalto simultaneamente. Integrante da coordenação de campanha de José Fogaça (PMDB), o peemedebista João Carlos Bona Garcia diz que existe um "vazio ideológico" responsável pela promoção de uma cena eleitoral promíscua. "A maioria dos partidos está na vala comum. Eles se ressentiram de ideologia e ficaram iguais. Prevalecem os grupos políticos que fazem alocações por interesses", diz Bona Garcia, acrescentando que a busca pelo poder neutraliza o comportamento coerente.

"Antigamente, seria difícil explicar um salto do MDB para a Arena. Haviam diferenças", exemplificou Bona Garcia, defensor da candidatura de Fogaça, que acompanha os movimentos dos aliados pedetistas, sobretudo do ex-governador Alceu Collares (PDT), que abriu o voto ao adversário Tarso Genro (PT).

O presidente do PP, Pedro Bertolucci, coligado no pleito ao Piratini com o PSDB de Yeda Crusius, é outro a apontar a fragilidade das siglas. Ele reconhece que existem dissidências progressistas que se movem em direção a Tarso e a Fogaça, mas ressalta que elas são minoria. "São acomodações. Os partidos não estão nada fortalecidos. São mais fracos do que certos grupos de políticos. Essa é a base da infidelidade", opinou Bertolucci, que ainda revelou outro aspecto gerador de incoerências. "Sem candidatura própria, qualquer partido fica à deriva."



Correio do Povo

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