Recentes denúncias contra o governo afegão são as justificativas do Congresso americano
WASHINGTON - Uma comissão no Congresso dos EUA votou pelo corte de quase US$ 4 bilhões em ajuda ao Afeganistão por conta das denúncias de corrupção em torno do governo do país asiático, informa nesta quinta-feira, 1º, o jornal britânico The Guardian.
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Nos últimos meses, o governo de Hamid Karzai foi bombardeado com denúncias de corrupção e desvio de dinheiro. O presidente afegão chegou a bloquear as investigações contra seus aliados políticos, levantando suspeitas sobre os esforços de luta contra crimes políticos de sua gestão.
A decisão de retirar a ajuda ocorre no mesmo momento em que o Senado americano aprovou o general David Petraeus como o novo comandante das tropas americanas e Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão e em que o ministro da Defesa do Reino Unido, Liam Fox, insistiu que o Exército britânico não deve deixar o país asiático "enquanto o trabalho não for concluído".
A subcomissão na Câmara dos Representantes votou na quarta-feira o bloqueio de US$ 3,9 bilhões que seriam enviados pelos EUA a Cabul. Membros da comissão, porém, disseram que a concessão verba poderia ser reconsiderada caso o governo afegão comprove sua luta contra a corrupção. A comissão pediu ao governo dos EUA para que auditores verificassem toda a ajuda enviada para o Afeganistão nos últimos três anos.
Na semana passada, o jornal americano Wall Street Journal reportou que mais de US$ 3 bilhões em notas deixaram o país nos últimos três anos transportados em voos. Outro diário, o Washington Post, disse que funcionários do governo afegão impediram que fossem realizadas investigações sobre membros da gestão.
A retirada da ajuda ocorre no mesmo momento em que o Senado aprovou por 99 votos a favor e nenhum contra a nomeação de Petraeus como o novo comandante no Afeganistão, depois de o antigo chefe, o general Stanley McChrystal, renunciar após as duras críticas que fez contra o governo em um artigo de uma revista.
Apesar do apoio unânime a Petraeus, a troca de comando no Afeganistão levantou dúvidas sobre a estratégia de Obama para a guerra contra a insurgência, já que, nos últimos meses, o número de baixas entre os soldados também cresceu. "Não importa quem está no comando, a estratégia do presidente é contraproducente", disse o senador democrata Russ Feingold, que afirmou que Petraeus é "qualificado" para o trabalho.
No Reino Unido, Fox declarou que "a retirada prematura das tropas, sem degradar a insurgência e aumentar a capacidade das forças de segurança afegãs, pode ocasionado o retorno das forças terroristas". A declaração do ministro da Defesa é contrária à do primeiro-ministro, David Cameron, que estimou que as tropas britânicas devem estar completamente fora do país até 2015.
"Não apenas arriscaríamos um retorno da guerra civil no Afeganistão, criando um vácuo de segurança, mas também arriscaríamos a desestabilização do Paquistão com consequências impensáveis, possivelmente nucleares", disse Fox.
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