1.4.10

A força centrífuga do crime

A violência está crescendo nas cidades do Interior e arrefecendo nas capitais brasileiras e adjacências. Essa é uma realidade demonstrada em relação aos homicídios no estudo intitulado "Mapa da Violência 2010 - Anatomia dos homicídios no Brasil", divulgado na terça-feira, em São Paulo. Segundo o levantamento, nas capitais a taxa de homicídio recuou 19,8% entre os anos de 1997 e 2007. Já no Interior, a taxa teve aumento de 37,1%. Em 1997, a cada 100 mil habitantes, 45,7 pessoas morriam nas capitais. No Interior, o montante era de 13,5 mortes. Uma década após, os óbitos nas capitais totalizaram 36,6 a cada 100 mil habitantes. Nesse ínterim, no Interior, foi a 18,5.

De acordo com Julio Jacobo Waiselfisz, do Instituto Sangari, autor do relatório, são causas para essas mudanças a descentralização industrial, que gerou novos polos econômicos, atraindo contingentes populacionais. Com eles, vieram problemas típicos dos grandes centros urbanos, como a violência. Também um maior policiamento nas metrópoles, com a criação da Força Nacional de Segurança, por exemplo, fez com que os delinquentes migrassem para cidades com menor policiamento. Contribuiu igualmente a melhoria das estatísticas relacionadas aos delitos em municípios interioranos para espelhar a realidade nacional com maior fidelidade.

Para nós, que vivemos nos três estados da região Sul, esse cenário detectado pela pesquisa já faz parte de um cotidiano preocupante. Não apenas os homicídios parecem estar reforçando números em comunidades até então mais pacatas, mas também os delitos contra o patrimônio público. Seguidamente temos notícias de quadrilhas que assaltam bancos e estabelecimentos comerciais em pequenas cidades, dominando as forças policiais e tornando a população local refém de suas investidas. Homicídios e latrocínios se tornaram banais por parte de bandidos perigosos.

A segurança pública precisa de mais investimentos, recursos humanos e técnicos, inteligência e integração policial, com equipamentos de última geração e treinamento constante. Os contribuintes esperam proteção independentemente do lugar onde morem. Cabe ao poder público e aos legisladores garantir os meios para que as polícias possam atuar com vigor contra o crime, esteja ele onde estiver, tanto nas capitais como no Interior.

Editorial do Correio do Povo, edição de 1º de abril de 2010.

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