1.4.10

Dilma diz que não pretende se desvencilhar do governo Lula

Reuters
Dilma agradeceu ao presidente por ter podido participar de seu governo
Dilma agradeceu ao presidente por ter podido participar de seu governo


A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse ontem que não pretende se desvencilhar do governo do presidente Lula agora que entrará em campanha eleitoral. Ela deixou o Ministério da Casa Civil para poder disputar as eleições de outubro.
"Eu não pretendo me desvencilhar do governo do presidente Lula. Participar dele para mim foi um momento muito importante da minha biografia e eu participei em todos os momentos, desde 2005, como chefe da Casa Civil e, muitas vezes, ao longo das horas noturnas que o governo se prolongou nos fins de semana", disse ela.
Dilma negou que sua candidatura seja um "voo solo", como a grande imprensa e a oposição têm afirmado, e disse que era um projeto. "Não é um voo solo, é um projeto. Eu me sinto muito fortalecida e apoiada por todos eles", disse.
A ex-ministra falou que está preparada para a corrida eleitoral, muito por conta dos sete anos e meio que esteve no governo. "Eu acho que eu estou preparada na vida para coisas muito mais duras que disputar uma eleição", afirmou. "Difícil mesmo era aguentar a ditadura", completou.




Tom emocional


Dilma adotou um tom muito mais emocional em seu discurso de despedida, ontem, no Palácio Itamaraty. No discurso de Dilma, acostumada a citar números e dados de planilhas, não faltaram palavras como sonho, otimismo, fé e alegria.
A pré-candidata do PT à Presidência da República se emocionou várias vezes durante o discurso e chegou a embargar a voz ao dizer que sentia uma "alegria melancólica" por deixar o governo. "Sinto uma alegria melancólica porque estamos saindo do governo que mais fez pelo povo desse país. Sentimos uma estranha alegria triste, mas a alma está cheia de otimismo e fé", afirmou.
A ministra lembrou que a oportunidade de estar no governo de Lula significou a realização de um sonho para ela e para muitos de sua geração que passaram pela repressão do regime militar. "O governo do senhor [Lula] é importante porque significou o ápice, a vitória daqueles que lutaram muito e conseguiram vencer. Nós vencemos a miséria, a pobreza, a subvenção, a estagnação, o pessimismo e o conformismo", disse Dilma. "Viúvos do Brasil que cresceu pouco fingem ignorar que esse país mudou. No nosso governo, o povo não é coadjuvante", acrescentou.


Jornal Agora

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