Ao prestar contas de sua administração no governo paulista, José Serra, que concorrerá à Presidência da República pelo PSDB, enalteceu o “caráter e a honra” como pontos centrais de seu estilo de governar. Ele entregará sua carta de renúncia à Assembleia Legislativa de São Paulo amanhã.
– Os governos têm de ter honra. Aqui não se cultivam escândalos, malfeitos ou roubalheiras. Nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência – disse Serra.
Uma plateia de aproximadamente 4,5 mil pessoas acompanhou o discurso.
O vice-governador, Alberto Goldman (PSDB), assumirá interinamente o Estado. No dia 6 de abril, Goldman toma posse do cargo de governador, em duas solenidades, na Assembleia e na sede do governo.
Ontem, Serra procurou destacar suas realizações no campo social e chegou a classificar sua administração como “popular”.
O tucano procurou reforçar a imagem de popular ao contar sobre uma visita que fez ao Rodoanel Mário Covas, quando encontrou trabalhadores da obra:
– A emoção me dominou quando um operário me mostrou, orgulhoso, onde estava o nome dele em um monumento que eu mandei construir. Pensei comigo: valeu a pena.
Serra – que atravessou a madrugada redigindo o discurso – contrapôs seu governo ao do PT. Ainda que sem fazer uma única menção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao mensalão, disse que a relação de sua administração com a Assembleia Legislativa foi marcada pela transparência.
Dizendo que não administra segundo a coloração partidária, atacou:
– A gente serve ao interesse público, não às máquinas partidárias. Governamos para o povo e não para partidos.
1.4.10
“Aqui não se cultivam escândalos ou roubalheira”
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