O enterro do secretário da Saúde de Porto Alegre, Eliseu Santos, morto na sexta-feira à noite, comoveu centenas de pessoas que participaram ontem da última despedida no Cemitério Jardim da Paz. O sepultamento, encerrado com uma salva de palmas, emocionou parentes, amigos, políticos e companheiros dos cultos evangélicos que acompanharam o cortejo que partiu da Assembleia Legislativa na tarde de ontem.
O caixão de Eliseu foi transportado por cerca de 50 minutos em um caminhão do Corpo de Bombeiros pelas avenidas João Pessoa, Ipiranga, Antônio de Carvalho e João de Oliveira Remião. Centenas de veículos percorreram o trajeto para prestar a homenagem final. Na chegada, muitos curiosos se aglomeraram na entrada do cemitério para acompanhar a retirada do caixão do alto do veículo dos Bombeiros, onde foram colocadas duas coroas de flores.
O velório, realizado no Salão Júlio de Castilhos, na Assembleia Legislativa, foi encerrado às 15h30min de ontem, após mais de 24 horas de vigília. Os corredores, repletos de coroas de flores enviadas por hospitais, partidos políticos e entidades, estavam tomados por uma multidão consternada. A filha caçula de Eliseu, de apenas 7 anos, que presenciou a morte do pai, protagonizou um dos momentos mais comoventes. Ela entrou no salão amparada por familiares. Nos poucos instantes em que esteve no velório, parou diante do caixão e recebeu um abraço da irmã mais velha, Virgínia, que chegou a se ajoelhar. A família ainda precisou planejar o prolongamento do velório de Eliseu para aguardar a chegada de Virgínia, que estava na Alemanha e foi recebida por parentes ao desembarcar no Aeroporto Salgado Filho, na Capital.
O cortejo foi precedido pelos culto cívico, onde se manifestaram autoridades políticas e religiosas, conduzido pelos pastores evangélicos. A personalidade forte e as opiniões contundentes, que renderam polêmicas, foram lembradas durante os pronunciamentos como características predominantes de Eliseu. Ele fora definido como um homem enérgico, impetuoso e temente a Deus. O primeiro a falar foi o senador Sérgio Zambiasi (PTB). "Me despeço fisicamente, pois ele ficará para sempre em nossas memórias", afirmou o líder petebista. O prefeito José Fogaça, que estava ao lado da primeira-dama Isabela, era um dos mais abalados. Apesar disso, ele fez uma clara opção pela mensagem de esperança. "Ao invés de chorar a sua morte, lembro de sua vida entusiástica", declarou o prefeito de Porto Alegre, repetindo as palavras de Zambiasi. A governadora Yeda Crusius e o presidente da Assembleia Legislativa, Giovani Cherini, também evocaram mensagens de conforto no final do ato.
Correio do Povo
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