1.3.10

Notícia internacional - Situação é caótica no Chile, relata gaúcha

Moradora de Santiago, Sandra Verônica fala da desordem do país abalado pelo terremoto

Exército guarda entrada de supermercado em Concepcion. Clique e veja mais fotos
Crédito: Martin Bernnetti / AFP
Após o terremoto de 8,8 graus de magnitude que deixou mais de 700 mortos no Chile, os moradores do país enfrentam os problemas decorrentes do abalo na infra-estrutura. A massoterapeuta gaúcha Sandra Verônica Torres Dickes, 34 anos, natural de Butiá, mora na capital Santiago desde 2007 e diz que a situação é caótica no país. Em entrevista ao site do Correio do Povo neste domingo, ela aponta a distribuição de energia como umas das principais dificuldades enfrentadas pela população.

"O problema principal no momento e a distribuição de energia. Estão exigindo da empresa responsável que se distribua menos e mais rápido possível para restabelecer o sistema", disse.

Sandra também relata a ocorrência de muitos saques no centro da cidade. "A polícia e as forcas armadas usam carros com jatos de água para dispersar a população", disse. Segundo ela, também ocorreram fugas de presídios, o que compromete ainda mais a segurança na cidade.

Neste domingo, presidente do Chile, Michelle Bachelet, colocou sob responsabilidade do Exército as regiões de Maule e Bio-Bio por 30 dias. Haverá um reforço imediato das Forças Armadas e da polícia nessas regiões, disse Bachelet. "Elas terão a missão de manter a ordem pública e agilizar a entrega dos suprimentos de emergência e da assistência (às vítimas)", disse Bachelet.

Um general foi designado para cada região. Algumas garantias constitucionais foram suspensas com o decreto, entre elas a que impede que o Exército detenha pessoas.

Polícia tenta conter saques em Concepcion

A polícia está tentando conter os saques em cidades como Concepción, uma das localidades mais afetas pelo terremoto, a 90 quilômetros do do epicentro do tremor de terra. Debaixo da chuva que caía neste domingo, centenas de pessoas arrombaram a porta de um supermercado da cidade, em busca de alimentos e produtos de primeira necessidade. "Isso é para os meus filhos, é a única forma que tenho de alimentá-los", afirmou um homem, explicando com uma expressão de remorso porque decidiu participar do saque ao supermercado.

"Temos que comer", disse uma mulher à televisão estatal, enquanto observava outras pessoas fugindo com caixas de leite e outras mercadorias na mão, como eletrodomésticos e televisores de plasma. "Não temos alimentos. Precisamos de leite para nossas crianças", indicou um homem, em meio aos jatos d'água e ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia, que tentava dispersar os saqueadores. "Se não conseguirmos resolver hoje (domingo) o problema da comida, teremos uma situação muito complicada", declarou a prefeita Van Rysselberghe.

Se o panorama em Concepción é dramático, a situação das comunidades costeiras afetadas por um tsunami no sábado é ainda mais preocupante. Na vizinha Talcahuano e em Dichato, embarcações foram carregadas para terra firme pela força das águas. Ao longo de todo o país, a destruição pode ser vista em dezenas de pontes caídas, edifícios derrubados e ruas bloqueadas por escombros, o que dificulta ainda mais a chegada de ajuda. Na capital Santiago, o aeroporto internacional continua fechado neste domingo, devido aos destroços do terminal de passageiros. Neste domingo, entretanto, a chegada de alguns voos foi permitida, segundo a televisão chilena, uma vez que a pista do aeroporto não foi danificada pelo tremor.

Correio do Povo

0 comentários: