1.3.10

Dengue e responsabilidade social, por Antonio Weston*

Diante da possibilidade da segunda onda do surto epidêmico da dengue no Estado, o que mais preocupa é que não há imunização no caso de indivíduos que já contraíram a doença uma vez. Logo, há uma maior chance de ocorrer a dengue hemorrágica, quadro bem mais agravante, caracterizado por febre alta, coloração amarelada da pele e pontos de sangramento nas mucosas e pele. Somente em 2010, a América Latina deve ter, aproximadamente, 10 milhões de casos de dengue e 150 mil casos de dengue hemorrágica, estima a Organização Mundial da Saúde. Dados que preocupam e a qualificam como uma doença de responsabilidade social.

Todos sabem que a prevenção mais efetiva é o controle do mosquito transmissor do vírus. Consequentemente, a colaboração da população com as medidas de prevenção é fundamental. Cada família deve observar na sua residência ou terreno se não existe algum tipo de acúmulo de água não tratada: como em vasos de plantas, piscinas abandonadas ou sem manutenção, depósitos de pneus expostos ou mesmo pequenos recessos nas janelas do imóvel onde possam estar acumuladas mesmo pequenas quantidades de água.

Estamos diante de uma doença de responsabilidade social. E é importante entender que essas ações são de responsabilidade individual. A forma mais eficaz e produtiva de erradicar a dengue é disseminar a preocupação social de prevenção. Mas não há como exigir somente que o Estado fiscalize residência por residência para realizar a prevenção. A população também tem que fazer a sua parte.

*Diretor científico da Amrigs

Zero Hora, edição de 1º de março de 2010.

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