| Elevação de R$ 45,00 (R$ 465,00 para R$ 510,00) transfere R$ 26,6 bilhões à economia Crédito: camila domingues |
A decisão do governo em reajustar o salário mínimo para R$ 510,00, a partir de 1º de janeiro, beneficiará mais de 45 milhões de trabalhadores, segundo o IBGE. Para chegar a esse valor, o aumento real será de 5,87% (descontada a inflação) - o segundo maior desde 2006, de 13,04%. Medida provisória do Executivo será submetida ao Congresso para apreciação e aprovação em no máximo 120 dias. Para o Dieese, a elevação de R$ 45,00 deverá trazer incremento de R$ 26,6 bilhões à economia. Somente com o abono do PIS-Pasep serão gastos mais R$ 615 milhões. Considerada positiva por políticos e sindicalistas, a nova valorização do mínimo, com base no crescimento do PIB, mais a da inflação, é contestada por representantes do empresariado.
O senador Paulo Paim (PT) entende que a fórmula garantindo aumento real é um primeiro passo. Para ele é preciso evoluir, atingindo ainda aposentados e pensionistas que ganham acima do mínimo. A intenção é implementar como índice de reposição a taxa total de crescimento do PIB mais a da inflação. "Aprovamos o fim do fator previdenciário e a extensão desse modelo aos trabalhadores que se aposentaram, mas a Câmara adia a questão há dois anos." Paim acredita que o projeto poderá ser votado em 2010, ainda que seja ano eleitoral. A medida acabaria com a defasagem de quase 70% dos aposentados em relação ao aumento do mínimo. Para a Fecomércio/RS, o reajuste traz fatores negativos. O economista da entidade, Pedro Ramos, diz que instituições como Bird e Ipea revelam que, tirando a questão da Previdência, não há impacto positivo nos aumentos reais ao mínimo. Questionou a fórmula adotada, que não leva em conta o PIB per capita, e sim o total de riquezas no país. "O reajuste deve se traduzir em menor empregabilidade para pessoas de menor escolaridade, que acabam na informalidade, e para jovens que, por entrarem no mercado, normalmente com essa remuneração, tendem a ter menos espaço nas contratações."
Correio do Povo
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