1.11.09
Celebrando a vida!, por Victor José Faccioni
Nem todos os que morreram santos estão sendo venerados nos altares, segundo a tradição católica. Por isso, os milhões, que não constam na lista dos canonizados pela Igreja, são lembrados hoje pelos fiéis, que rezam por eles, pedindo sua proteção. Amanhã, Dia de Finados, lembramos nossos pais, irmãos, parentes e amigos falecidos. O hábito de visitar os cemitérios e depositar flores sobre os túmulos dos nossos entes queridos vem desde os primeiros séculos depois de Cristo, e ocorre em todos os países. A data serve também para uma reflexão de que um dia também nós morreremos, e que a morte não é o fim, mas o início de uma vida nova para os que creem na vida eterna.
Assim, para nós, cristãos, curas de doentes e ressurreição de mortos que nos relatam os evangelhos têm um sentido particular. Alguém mais poderoso do que nós atende àqueles que o procuram com fé e esperança. As doenças e a própria morte são passageiras e não têm uma vitória definitiva neste mundo. Triste é ver gente morrendo por antecipação: de desgosto, tristeza, solidão, depressão ou então pela violência. Nas celebrações de hoje e amanhã, portanto, só a fé e a esperança numa vida melhor se justificam. Isso, aliás, já preconizara o profeta Isaías, no Antigo Testamento (Is. 26,19): "Os teus mortos viverão, os seus corpos ressuscitarão; despertai e exultai vós que habitais no pó, porque o vosso orvalho (lágrimas) é orvalho de luz (esperança) e sobre as sombras da terra cairá". Mais tarde, no túmulo de Lázaro, sua irmã Marta recebeu a garantia: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá" (Jo.11,25).
Conselheiro do TCE-RS
Correio do Povo, edição de 1º de novembro de 2009.
Editorial - Um dia para combater o trabalho escravo
É importante a aprovação dessa lei porque a partir dela será possível desenvolver uma série de atividades, unindo os setores público e privado, para que se possam melhorar as condições da mão de obra no país. Não é de hoje que nações e organismos internacionais dos quais o Brasil é integrante e signatário de convenções e tratados advertem para abusos cometidos contra trabalhadores. Não é à toa que mesmo o etanol brasileiro, fonte de energia limpa e com grandes perspectivas de conquistar mercado mundial e gerar divisas, tem recebido oposição de potenciais compradores por conta das condições de trabalho a que são submetidos os que labutam nos canaviais.
A par do trabalho escravo de adultos, é bastante comum a exploração ilegal e abusiva da força de trabalho de crianças e adolescentes, o que é proibido pela legislação em geral e, em particular, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Esse também é um ponto a ser tratado, assim como também os casos de exploração de trabalhadores domésticos em alguns lugares do país. O trabalho escravo retira a autonomia do empregado, subtraindo-lhe os direitos, impõe-lhe deveres desproporcionais, submete-o a condições vexatórias e suprime sua condição de cidadão.
Para o contribuinte, para o cidadão brasileiro, é muito difícil atinar com algumas coisas inadmissíveis que ocorrem em nosso país. Trabalho escravo, tráfico de mulheres para o exterior, contrabando de armas, tráfico de animais silvestres, exploração sexual de infantes. São muitos os pontos que requerem a intervenção do poder público e da sociedade. Atuar contra o trabalho escravo é uma obrigação moral e legal de todos aqueles que não se conformam com essas chagas que nos assolam diariamente.
Correio do Povo, edição de 1º de novembro de 2009.
Editorial - No país dos escândalos
Como a sucessão é interminável e basta um episódio sair das manchetes para que outro mais escandaloso ganhe destaque, fica-se com a impressão de que o país perdeu a capacidade de se indignar. Não é assim, nem pode ser assim. A publicidade é sempre didática, tanto pelo constrangimento que causa aos autores de falcatruas quanto pelo alerta que provoca nos cidadãos. Ainda que muitos dos envolvidos em irregularidades continuem na vida pública, inclusive pelo caminho democrático da reeleição, a ampla divulgação das investigações ajuda a criar uma cultura anticorrupção no país.
A questão irresolvida é outra: como transformar a indignação em resultado prático em favor da sociedade utilizando-se os instrumentos da democracia? Cada vez que uma fraude da administração pública ganha manchetes, os poderes constituídos veem-se pressionados não apenas a dar explicações, mas também a criar mecanismos preventivos para que o problema não se repita. Porém, não é incomum que algumas autoridades apostem na amnésia coletiva e na lentidão dos órgãos judiciários para escapar da responsabilização. Pois estas falhas do sistema democrático e republicano são atenuadas pela ação de uma imprensa livre e pelo acesso cada vez mais intenso dos cidadãos à comunicação moderna. A internet suporta tudo, inclusive leviandades. Mas também permite que fatos passados retornem à atualidade e continuem em evidência por tempo indeterminado. Possibilita que os cidadãos interajam diretamente com as instituições que os representam.
Esta abertura à participação dos indivíduos na divulgação de notícias é, ainda, um passo modesto no sentido de se criar uma verdadeira cultura de probidade no país, com instituições públicas operando de forma eficiente e agentes públicos prestando contas permanentemente aos seus representados. Mas não há dúvida de que é pelo caminho da transparência que a sociedade brasileira haverá de alcançar um padrão ético mais elevado. A relação de escândalos impunes é também uma listagem de indignações sublimadas pelo tempo, mas vivas e palpitantes no coração dos homens e mulheres deste país que anseiam por uma sociedade mais justa.
Zero Hora, edição de 1º de novembro de 2009.
Política - Chávez pede a mulheres venezuelanas apoio a Dilma
Presidente venezuelano disse que a ministra é uma “extraordinária mulher”
Pré-candidata do governo à sucessão presidencial de 2010, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, recebeu declarações de apoio de um cidadão que não pode votar no Brasil. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, exortou na noite de ontem (sexta, 31) as mulheres de seu país a apoiar a ministra, a quem chamou de “extraordinária mulher”, nas eleições do próximo ano. O apoio a Dilma foi pedido em discurso para cerca de mil mulheres presentes à celebração do aniversário de dez anos do Inamujer, instituição governamental responsável pela implementação de políticas para mulheres no país vizinho.Chávez esteve por todo o dia de ontem em solenidades oficiais com o presidente Lula, que, em evento de inauguração, classificou como “amadurecimento” dos senadores brasileiros a aprovação do ingresso da Venezuela no bloco comercial do Mercosul. Na quinta-feira (28), Lula e Dilma jantaram com o presidente venezuelano no Hotel Humbold, símbolo de Caracas instalado no alto de uma montanha ao norte da capital. As informações são da Agência Brasil.
“Vou dizer algo para vocês. Lula me convidou para uma conversa com uma grande mulher brasileira, e o coração me disse que ela será a próxima presidente do Brasil. É uma extraordinária mulher que vocês vão conhecer. Dilma Rousseff esteve também na guerrilha no Brasil, esteve presa, torturada e está preparando-se para assumir a campanha no próximo ano. Aqui, chamo a todas que apoiemos Dilma para a Presidência do Brasil. Uma mulher digna, revolucionária, valente. Vocês vão conhecer”, enalteceu Chávez, mencionando a aprovação popular do colega brasileiro.
Nas homenagens às mulheres no evento do Inamujer, Chávez entoou o clássico romântico La noche que me quieras, do compositor argentino Cacho Castaña, e citou outras mulheres que exercem cargos de chefia em seus países, como a presidente do Chile, Michelle Bachelet, e a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho. Na quinta-feira, Maria Fernanda esteve presente na inauguração do escritório de representação do banco em Caracas.
As informações são da Gazeta de Alagoas.
O Primeiro Magistrado, por Sérgio da Costa Franco*
O presidente Lula não parece muito familiarizado com a história brasileira, como, aliás, com outras disciplinas do Ensino Fundamental. Contrariando a tendência de muitos emergentes que procuram instruir-se e suprir as deficiências de sua formação cultural, nosso presidente Lula satisfez-se com seu curso de torneiro mecânico do Senai. E como a ilustração não está no leque de objetivos dos políticos brasileiros, o bravo torneiro destacou-se como sindicalista, promoveu-se como líder partidário e afinal atingiu, com sucesso, a presidência da República em dois mandatos sucessivos. Foi pena que não estudasse. Não para obter uma graduação qualquer e o competente diploma, mas para alcançar um nível de informação pessoal compatível com a eficiente gestão de país tão complexo como o Brasil e de tanta importância no plano continental. Não precisaria, como agora acontece, da assessoria duvidosa de supostos especialistas em educação e em política exterior. Como poderia ir longe o nosso presidente se tivesse caprichado na ilustração e se tivesse preocupado em dar bom exemplo aos jovens trabalhadores carentes de instrução e especialização técnica!
É claro que não nos impressionam, na linguagem do presidente, seus eventuais deslizes e atentados à gramática, pelos quais ele se identifica com a grande maioria dos patrícios. Trata-se até de um ponto de identificação com a cidadania de baixo índice cultural. É pena que às vezes exagere nessa identificação, desprezando a dignidade do cargo, para ceder terreno a uma teatralidade demagógica, inclinada a posturas carnavalescas e ostentatórias. Enfim, vivemos no tempo da sociedade do espetáculo...
O problema do desconhecimento da História nacional é que Lula parece captar apenas os maus exemplos do passado, as tendências monárquicas e continuístas e as manifestações autoritárias.
Essas inclinações se revelam sobretudo agora, no tocante à sucessão presidencial de 2010. Ao invés de assumir a postura equilibrada de Primeiro Magistrado, respeitando a oposição, como presidente que deveria ser, “de todos os brasileiros”, e não apenas de uma facção, Sua Excelência converteu-se em cabo eleitoral de sua ministra Dilma Rousseff, cuja candidatura não está sequer oficializada. Essa postura é realmente um escândalo, a que não poderá ser insensível a Justiça Eleitoral.
Por ignorar a História brasileira, Lula não sabe que foi a posição intervencionista do presidente Washington Luís, para forçar a escolha de seu sucessor, uma das causas imediatas da Revolução de 1930. Desde então, os presidentes da República trataram de assumir a conduta de magistrados, abstendo-se de participar da cabala eleitoral, cônscios de sua extraordinária responsabilidade pelo equilíbrio e a paz nos eventos da sucessão. O falar em “nós” e “eles”, antagonizando metade da cidadania, e em pedir a vitória de Dilma como seu presente de aniversário em 2010, o presidente se identifica com o “paulista de Macaé”, que terminou exilado em Portugal.
Zero Hora, edição de 1º de novembro de 2009.
Política - Aumenta pressão sobre Fogaça
As informações são do Correio do Povo.
Para onde vamos?, por Fernando Henrique Cardoso*
A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da terra”, de riqueza fácil que beneficia a poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?
Só que cada pequena transgressão, cada desvio, vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advenha do nosso Príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o país, devagarinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade, que pouco têm a ver com nossos ideais democráticos.
É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista” deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental em uma companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem qualquer pudor, passear pelo Brasil às custas do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso...) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?
Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Essa supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os “projetos de impacto” (alguns dos quais viraram “esqueletos”, quer dizer obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Em pauta, temos a transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no orçamento e minguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo TCU. Não importa: no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha casa, minha vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.
Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”. Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU – contra a letra expressa da Constituição – vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que tivesse se esquecido de acrescentar “l’État c’est moi”. Mas não esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender “nosso pré-sal”. Está bem, tudo muito lógico.
Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições, sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.
Ora dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso, os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil, os fundos de pensão não são apenas acionistas – com a liberdade de vender e comprar em bolsas – mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo antes que seja tarde.
Zero Hora, edição de 1º de novembro de 2009.
Política - CCJ vota PEC dos Municípios na quarta-feira
Ministério lamenta morte de funcionário da Funasa
No texto, o ministério também se solidariza com os familiares da vítima e destaca a importância do trabalho que vinha sendo desempenhado por João de Abreu Filho e seus colegas de equipe: o atendimento à população em áreas remotas e de difícil acesso. A parceria com a FAB também foi ressaltada pelo ministério por levar saúde de qualidade a áreas onde só é possível chegar por meio de pequenas aeronaves ou barcos.
A seguir, a íntegra da nota:
"O Ministério da Saúde manifesta pesar e consternação com a confirmação, neste sábado (31), da morte do técnico da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) João de Abreu Filho, em decorrência do acidente ocorrido na última quinta-feira (29) com a aeronave C-98 Caravan da Força Aérea Brasileira, na Amazônia.
Ao mesmo tempo em que se solidariza com familiares e amigos da vítima, o Ministério da Saúde reconhece a extrema importância para a saúde pública brasileira da missão que vinha sendo desempenhada por João de Abreu Filho e seus colegas de equipe: o atendimento à população em áreas remotas e de difícil acesso.
Os seis técnicos de enfermagem e a enfermeira que embarcaram no C98, a serviço da Funasa, trabalhavam na Operação Gota, cujo objetivo é vacinar índios em mais de 40 aldeias no Vale do Javari. Eles já estavam há 15 dias em atividade na região.
Acompanhamos os esforços que vêm sendo empreendidos pelo Comando da Aeronáutica nas buscas pelo ocupante da aeronave ainda desaparecido. Temos convicção de que o resgate dos nove sobreviventes e do corpo de João de Abreu Filho é resultado do competente trabalho que vem sendo feito pelas equipes do Salvaero, da FAB.
Sem a participação dos colaboradores da Funasa e da excepcional parceria com as Forças Armadas, que nos possibilita levar saúde de qualidade a áreas onde só é possível chegar por meio de pequenas aeronaves ou barcos, comprometeríamos de forma significativa a capacidade de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população e para a redução das desigualdades em saúde."
As informações são do site do Estadão.
Política - PEC altera regras para indicações ao STF
A principal crítica se concentra sobre o excesso de poder do presidente da República – hoje, o nome indicado pelo presidente, sem critérios rígidos, passa apenas pelo crivo do Senado.
A AMB sugere cinco modificações, entre elas a elaboração de uma lista sêxtupla para escolha do presidente, cota de 50% das vagas na corte para magistrados de carreira, a elevação da idade mínima para ministro de 35 para 45 anos e quarentena de três anos para ministros, governadores, advogado-geral da União ou procurador-geral da República que sejam indicados ao Supremo.
Recentemente escolhido pelo presidente Lula para a Corte, o ex-advogado-geral da União José Antonio Toffoli não se encaixaria em ao menos duas das regras: tem 41 anos e não passou por quarentena.
Questionado sobre a nomeação de Toffoli, Pires afirmou que a PEC “não é dirigida a quem quer que seja”. Ele diz que a entidade propôs a quarentena em maio, antes de o nome de Toffoli ser cogitado.
Entretanto, uma das razões para a proposta foi o excesso de indicações que couberam ao presidente Lula – somente no STF, foram oito.
Com informações do jornal Zero Hora.
Política - STF analisa denúncia do ''mensalão mineiro''
Obama: retomada mostra que EUA estão no rumo certo
Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse hoje que os sinais de recuperação da economia norte-americana mostram que o país segue na direção correta, mas ponderou que ainda há progressos a serem feitos. "Embora ainda não seja motivo para celebração, as notícias indicam que estamos seguindo o rumo certo", afirmou em seu programa semanal de rádio, também disponível na internet. "É fácil de esquecer que há apenas alguns meses atrás a economia estava afundando rapidamente e que muitos economistas temiam por uma nova Grande Depressão", disse.
Obama afirmou que o crescimento econômico não substitui a expansão do emprego, mas disse esperar uma melhora no relatório de outubro. "Provavelmente não veremos mais redução de vagas de trabalho. Mas nós não criaremos novas vagas se não houver crescimento econômico", afirmou. As declarações de Obama foram feitas um dia depois que dados de uma junta federal independente apontaram que cerca de 650 mil empregos foram preservados ou criados por causa dos programas de estímulo econômico do governo. O relatório apontou ainda que foram destinados US$ 215 bilhões para 156.614 contratos federais, empréstimos e doações em mais de 62 mil operações.
O governo norte-americano informou esta semana que a economia cresceu 3,5% de julho a setembro e que este é o primeiro sinal de recuperação em um ano, sinalizando que a crise econômica, que teve início em dezembro de 2007, estaria no fim. A Casa Branca também comunicou nesta semana que o pacote de estímulo da administração Obama de US$ 787 bilhões - um misto de corte de tarifas e aumento de gastos - ajudou a preservar ou a criar mais de um milhão de empregos. O pacote incluiu corte de impostos da ordem de US$ 288 bilhões.
Os republicanos questionaram o número do governo que aponta criação de empregos. O senador Mitch McConnel ressaltou que desde a criação do pacote de estímulo do governo já foram perdidos mais de três milhões de empregos nos Estados Unidos. O nível de desemprego nos Estados Unidos atingiu 9,8% em setembro, maior patamar dos últimos 26 anos. A expectativa é que o relatório de outubro, divulgado na próxima semana, chegue a 10%.
As informações são da Abril.com.
Há um século no Correio do Povo – História virtual
OS GAFANHOTOS
Fosse hoje, o gafanhoto não reclamaria da escassez de verde em Porto Alegre
Crédito: Chirivino / cp memoria
Correio do Povo do dia 1 de novembro de 1909 noticiava:
Entrevista de um reporter do Correio do Povo com um gafanhoto
Correio do Povo, 31 de julho de 1906
Reporter - Bom dia.
Gafanhoto - Bom dia.
Reporter - Peço-lhe mil perdões por vir incommodal-o ainda tão cedo, mas sou reporter de uma gazeta desta cidade e muito agradecido ficaria si me désse a honra de dois dedos de prosa...
Gafanhoto - Estou ás suas ordens.
Reporter - Sim... mas é que temo importunal-o: o senhor deve estar fatigadissimo da viagem e, provavelmente, assim encarapitado nesse fio telephonico, talvez passasse mal a noite...
Gafanhoto - Não faça cerimonias. A viagem não me fatigou, como suppõe: nós estamos acostumados a grandes percursos. Talvez o senhor não faça uma idéa de quantas léguas comemos nós por hora.
Reporter - Tambem comem leguas?!
Gafanhoto - Sim, quero dizer: vencemos... Nada menos de seis!
Reporter - Ah!
Gafanhoto - Quanto á cama que por acaso me tocou, essa, com franqueza, não foi das mais commodas. Este fio de telephone a que nos viemos abrigar, em frente da sua janela, eu e alguns milhões de companheiros, tem, entre outras desvantagens o inconveniente de ser muito frio. Ora, si o senhor já leu alguma cousa sobre a nossa vida, há de saber que somos amantes extremados do calor.
Reporter - Sim, sei. No tempo em que eu dava o Terceiro Livro, li isso uma vez. Até sei mais: quando, em uma região em que estão os gafanhotos, o frio cae, os senhores logo armam "tempo quente".
Gafanhoto - E nos pomos ao fresco. É isso mesmo.
Reporter - Pois sinto devéras a noite que passou... Podia ter batido á janella...
Gafanhoto - Obrigado, não valia a pena. Demais, são cavacos do officio: quando uma creatura qualquer deixa a sua patria e os confortos do seu lar para correr o mundo, fica sujeita a soffrer uma infinidade de contra-tempos. É a sina de todos os que viajam.
Reporter - E para os que viajam assim desabrigados, no ar, os contra-tempos devem ser mais pezados...
Gafanhoto - Com effeito.
Reporter - Eu lhe peço que não queira mal a Porto Alegre por não ter hospedado o senhor e os seus dignos companheiros com o conforto a que têm direito tão illustres visitantes. A minha terra ainda é muito escassa em commodos, e os melhores que ha por aqui estão sendo emplumados para receber o Penna, que, como se sabe...
Gafanhoto - Sim. Soube em caminho que o Affonso Penna tambem vem ao seu Estado.
Reporter - E'' também vem.... Por signal que se preparam grandes festas para o acolher.
Gafanhoto - Ah!
Reporter - E por falar isso: que achou a recepção que lhes fizeram aqui?
Gafanhoto - Uma repetição da que tivemos em todas as localidades do seu Estado: grande terror, gente por toda parte, de bocca aberta, formidavel, zé-pereira, batuque, pancadaria em latas de kerozene, tiros, berreiro, foguetorio...
Reporter - E, diga-me: esse barulho imcommóda, devéras, os senhores.
Gafanhoto - Não deixa de incommodar seu tanto ou quanto, principalmente os foguetes que, felizmente são mais caros que as latas de kerozene. Os foguetes quanto, ao arrebentarem, nos arrebentam, incommodam. Entretanto, essas cousas não modificam em nada o nosso modo de pensar, nem o nosso desideratum. Como deve saber, não temos deixado folha sobre folha. Cortamos tudo pela raiz.
Reporter - E'' bem verdade.
Gafanhoto - Demais, isso entra na lei das compensações; aqui nos enxotam, entretanto, em outros logares do mundo, mórmente na Africa, nos consideram um manná, uma ambrosia, um artigo de primeira ordem, uma especialidade. Quando chegamos a um desses logares, o povo exulta numa festa indescriptivel, numa alegria verdadeiramente... selvagem. Não há alma que não cante, labios que não riam, mãos que não batam palmas, coração que não se extasie, bocca... que não se encha d''agua. Disputam-nos, armam guerras por nossa causa, compram-nos a peso de oiro e...
Reporter - E os adoram?
Gafanhoto - Não, senhor: comem-nos.
Reporter - Oh!
Gafanhoto - Comem-nos assados, fritos, ensopados, seccos e molhados, com azas e sem azas, em mingaus, em sopas, em pasteis, em mayonaises, em mostardas, em conservas, em sorvetes, em almondegas, no diabo! Durante o tempo em que andamos por essas paragens gaphanhatophagas, nós somos o prato do dia, a novidade, o manjar de primeira, o quitute, o filé, o petisco. O preço da carne chega a baixar, para ver se ha compradores. Qual nada. Ninguem compra carne.
Reporter - Talvez seja por isso que os senhores não gostam muito da Africa...
Gafanhoto - E'' provavel.
Reporter - E que tal achou Porto Alegre?
Gafanhoto - Desculpe que lhe diga, com a minha franqueza de gafanhoto: muito rapado. Meia duzia de chacaras sem arvoredo, algumas pracinhas plantadas com muita parcimonia, varzeas sem pasto, hortaliças muito miches. Eu até disse aos companheiros que por taes vegetações não valia a pena terem feito tanto barulho quando chegámos.
Reporter - Foi muito barulho?!
Gafanhoto - Muito. E houve até, nessa azafama de nos afugentarem cousas interessantissimas.
Reporter - Sim?
Gafanhoto - Pois não. Olhe: quando passavamos no Menino Deus, na altura da rua dos Pretos Forros, um cidadão baixo e gordo, no intuito de defender o seu jardimzinho, puxou do revolver, virou a cara, e deu cinco tiros para o ar. Pois meu caro senhor, no jardimzinho só havia duas begonias e um pé de mangericão e outro de arruda... O senhor ri-se? Na Azenha, um portuguez desabou pau em penca sobre umas latas de kerozene por causa de um pé de "catinga-de-mulata". Uma miseria, meu amigo. Porto Alegre, no que diz respeito a plantações, está a pedir misericordia. Misericordia e sementes.
Reporter - E'' de lastimar.
Gafanhoto - Muito de lastimar. Entretanto, não deve ficar triste com essa novidade: no seu Estado ha logares muito florescentes.
Reporter - Havia.
Gafanhoto - Sim, diz bem, havia... quando lá chegámos. Logares onde uma creatura se sente a gosto.
A grafia de época está
preservada nos textos acima.