Garcia disse que Brasil não ficaria "indiferente" a alto comparecimento
O assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, indicou nesta segunda-feira que a relação futura do governo brasileiro com o governo de Honduras vai depender da postura do presidente eleito na eleição deste domingo, Porfírio "Pepe" Lobo.
Garcia disse que espera que o presidente reconheça a OEA como canal de diálogo legitimo e que dados sobre o comparecimento às urnas indiquem que uma alta participação do eleitorado hondurenho no pleito.
"Será de grande importância a atitude do senhor Porfírio Lobo, que foi eleito nesse pleito, em relação à OEA, se ele vai se dirigir ao secretário geral da OEA, se ele vai considerar a OEA como um interlocutor legítimo, diferentemente do que o governo golpista do senhor (Roberto) Micheletti fazia. Esse conjunto de sinais e de gestos é que vão nos permitir avaliar a situação e definir quais serão os próximos passos", afirmou Garcia em Estoril, onde participa da cúpula Ibero-Americana.
"Estamos saindo de uma eleição que foi feita ontem, não sabemos nem a taxa de comparecimento, alguns dizem que a taxa de abstenção foi da ordem de 70% outros dizem que foi de 55%, e precisamos analisar isso, porque vai incidir sobre a legitimação."
Garcia indicou que, apesar de considerar a eleição ilegítima, o governo brasileiro "não poderia ficar indiferente" se houver dados que comprovem "uma fortíssima participação popular". "Uma coisa é nós considerarmos a eleição ilegítima como procedimento, outra coisa é desconsiderarmos como fato político."
Árias
Garcia disse ser "indelicada" e "absolutamente improcedente" a declaração do presidente da Costa Rica, Oscar Árias, de que aqueles que rejeitam as eleições em Honduras e aceitam a eleição presidencial no Irã – realizada em junho e alvo de denúncias de fraudes – segue uma "dupla moral". O Brasil adota esse posicionamento.
Clique Leia mais sobre as declarações de Árias na BBC Brasil
"A eleições no Irã foram convocadas por um governo sobre o qual não havia nenhuma contestação e as eleições em Honduras foram convocadas por um governo golpista. Se o presidente Árias quiser fazer comparações, acho que ele deveria buscar uma comparação mais consistente."
Sobre a afirmação de Árias de que o não reconhecimento das eleições seria uma forma de castigar o povo hondurenho, privado da ajuda internacional, ele jogou a responsabilidade para o outro lado.
"Acredito que reconhecer essa eleição seria uma forma de castigar o povo hondurenho", disse.
Também em Estoril, a ministra das Relações Exteriores do governo deposto de Honduras, Patrícia Rodas, afirmou que Zelaya estaria disposto a negociar com o líder eleito nas eleições de domingo.
0 comentários:
Postar um comentário