O presidente Lula não parece muito familiarizado com a história brasileira, como, aliás, com outras disciplinas do Ensino Fundamental. Contrariando a tendência de muitos emergentes que procuram instruir-se e suprir as deficiências de sua formação cultural, nosso presidente Lula satisfez-se com seu curso de torneiro mecânico do Senai. E como a ilustração não está no leque de objetivos dos políticos brasileiros, o bravo torneiro destacou-se como sindicalista, promoveu-se como líder partidário e afinal atingiu, com sucesso, a presidência da República em dois mandatos sucessivos. Foi pena que não estudasse. Não para obter uma graduação qualquer e o competente diploma, mas para alcançar um nível de informação pessoal compatível com a eficiente gestão de país tão complexo como o Brasil e de tanta importância no plano continental. Não precisaria, como agora acontece, da assessoria duvidosa de supostos especialistas em educação e em política exterior. Como poderia ir longe o nosso presidente se tivesse caprichado na ilustração e se tivesse preocupado em dar bom exemplo aos jovens trabalhadores carentes de instrução e especialização técnica!
É claro que não nos impressionam, na linguagem do presidente, seus eventuais deslizes e atentados à gramática, pelos quais ele se identifica com a grande maioria dos patrícios. Trata-se até de um ponto de identificação com a cidadania de baixo índice cultural. É pena que às vezes exagere nessa identificação, desprezando a dignidade do cargo, para ceder terreno a uma teatralidade demagógica, inclinada a posturas carnavalescas e ostentatórias. Enfim, vivemos no tempo da sociedade do espetáculo...
O problema do desconhecimento da História nacional é que Lula parece captar apenas os maus exemplos do passado, as tendências monárquicas e continuístas e as manifestações autoritárias.
Essas inclinações se revelam sobretudo agora, no tocante à sucessão presidencial de 2010. Ao invés de assumir a postura equilibrada de Primeiro Magistrado, respeitando a oposição, como presidente que deveria ser, “de todos os brasileiros”, e não apenas de uma facção, Sua Excelência converteu-se em cabo eleitoral de sua ministra Dilma Rousseff, cuja candidatura não está sequer oficializada. Essa postura é realmente um escândalo, a que não poderá ser insensível a Justiça Eleitoral.
Por ignorar a História brasileira, Lula não sabe que foi a posição intervencionista do presidente Washington Luís, para forçar a escolha de seu sucessor, uma das causas imediatas da Revolução de 1930. Desde então, os presidentes da República trataram de assumir a conduta de magistrados, abstendo-se de participar da cabala eleitoral, cônscios de sua extraordinária responsabilidade pelo equilíbrio e a paz nos eventos da sucessão. O falar em “nós” e “eles”, antagonizando metade da cidadania, e em pedir a vitória de Dilma como seu presente de aniversário em 2010, o presidente se identifica com o “paulista de Macaé”, que terminou exilado em Portugal.
Zero Hora, edição de 1º de novembro de 2009.
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