Hoje estamos celebrando a vida daqueles que já chegaram à pátria definitiva - Dia de Todos os Santos - e, amanhã, lembramos os que talvez ainda estejam a caminho, mas bem próximos de chegar lá - o Dia dos Mortos. Desde o século I, os cristãos rezam pelos seus mortos ao ir às catacumbas de Roma para homenagear os mártires. Mas, só no século VII, o papa Bonifácio IV estabeleceu o Dia de Todos os Santos, que, originalmente, ocorria no dia 13 de maio. Depois, o papa Gregório II, no século VIII, mudou para o dia 1º de novembro, como o é até hoje. História à parte, vale perguntar: qual o sentido das comemorações de hoje e amanhã?
Nem todos os que morreram santos estão sendo venerados nos altares, segundo a tradição católica. Por isso, os milhões, que não constam na lista dos canonizados pela Igreja, são lembrados hoje pelos fiéis, que rezam por eles, pedindo sua proteção. Amanhã, Dia de Finados, lembramos nossos pais, irmãos, parentes e amigos falecidos. O hábito de visitar os cemitérios e depositar flores sobre os túmulos dos nossos entes queridos vem desde os primeiros séculos depois de Cristo, e ocorre em todos os países. A data serve também para uma reflexão de que um dia também nós morreremos, e que a morte não é o fim, mas o início de uma vida nova para os que creem na vida eterna.
Assim, para nós, cristãos, curas de doentes e ressurreição de mortos que nos relatam os evangelhos têm um sentido particular. Alguém mais poderoso do que nós atende àqueles que o procuram com fé e esperança. As doenças e a própria morte são passageiras e não têm uma vitória definitiva neste mundo. Triste é ver gente morrendo por antecipação: de desgosto, tristeza, solidão, depressão ou então pela violência. Nas celebrações de hoje e amanhã, portanto, só a fé e a esperança numa vida melhor se justificam. Isso, aliás, já preconizara o profeta Isaías, no Antigo Testamento (Is. 26,19): "Os teus mortos viverão, os seus corpos ressuscitarão; despertai e exultai vós que habitais no pó, porque o vosso orvalho (lágrimas) é orvalho de luz (esperança) e sobre as sombras da terra cairá". Mais tarde, no túmulo de Lázaro, sua irmã Marta recebeu a garantia: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá" (Jo.11,25).
Conselheiro do TCE-RS
Correio do Povo, edição de 1º de novembro de 2009.
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