O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, esteve neste sábado no Porto de Rio Grande, no sul do Estado, para acompanhar o início da operação de embarque dos 40 contêineres com lixo importado do Reino Unido. A carga deve chegar em Felixstowe no próximo dia 21.
A carga, que desembarcou no pátio do Terminal de Contêineres (Tecon) entre fevereiro e maio, é proveniente da Inglaterra. O navio MSC Oriane, de bandeira panamenha, que levará os resíduos para o país de origem, atracou no cais pouco antes da chegada do ministro.
— O Brasil não será a lata de lixo do planeta — declarou Minc, após uma reunião com a Receita Federal, Anvisa, Polícia Federal e os superintendentes do porto e do Ibama.
— A empresa responsável importou algumas centenas de contêineres ao Brasil no ano passado, e estamos trabalhando em conjunto para detectar o conteúdo dessas cargas — explicou o ministro.
Entre as medidas a serem adotadas pelo governo federal nos próximos meses, estão o aumento da fiscalização e de recursos humanos, além de reforço em equipamentos como raios-X e scanners de cargas.
— Os países mais ricos, no entanto, também devem cuidar do seu quintal. Esta é uma lógica perversa que deve ser revista pela ONU e as convenções nacionais — completou Minc.
— Transferiram para nós a fiscalização deles — concordou o diretor presidente do Tecon, Paulo Bertinetti, referindo-se aos importadores.
Na próxima semana, o assunto será debatido em reuniões em Brasília com os ministérios do Meio Ambiente dos Estados Unidos (na terça-feira) e da Inglaterra (quinta-feira). As audiências estavam pré-agendadas para tratar de assuntos como a redução de emissões de poluentes e a defesa de florestas, mas devem ter a atenção roubada pela importação do lixo.
Também serão definidos procedimentos para um controle mais rigoroso e a detecção de eventuais quadrilhas envolvidas com a importação dos resíduos.
O MSC Oriane começou a operar logo após a atracação. Vindo de Buenos Aires, o navio chegou a Rio Grande para operar outras cargas e está sendo aproveitado para a devolução das 740 toneladas de lixo.
A embarcação deixa o porto rio-grandino no final da manhã deste domingo. A tripulação fará escala em Santos (SP) para receber as demais cargas de lixo e levá-las para a Europa. A jornada deve ser encerrada até o dia 21 de agosto, no porto de Felixstowe.
Cinco empresas receberam multas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de até R$ 408 mil pela chegada dos resíduos ao país. Outros 41 contêineres chegaram a Santos (SP) e oito no porto seco de Caxias do Sul. A indicação era de que se tratava de polímeros de etileno para reciclagem. No entanto, foram descobertos pela Receita Federal resíduos tóxicos, domiciliares e eletrônicos. A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar o caso. O lixo que está retido na estação aduaneira de Caxias não está mais em contêineres, e deve ir para Rio Grande para ser embarcado nas próximas semanas. As informações são do jornal Zero Hora.
0 comentários:
Postar um comentário