Washington — A crise financeira custou mais de 10 trilhões de dólares aos governos de todo o mundo e algumas economias se preparam para enfrentar sua pior dívida pública desde a Segunda Guerra Mundial. Os dados são do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O órgão afirma que os países ricos ofereceram, juntos, 9,2 trilhões de dólares em ajuda ao setor financeiro, enquanto as economias emergentes gastaram um total de 1,6 trilhão.
O valor dos gastos com os bancos é equivalente a oito 'brasis'. Ou seja, o montante já gasto e prometido por governos para ajudar as instituições financeiras equivale a quase oito vezes o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro (a soma de todas as riquezas produzidas no país), de cerca de 1,5 trilhão de dólares.
Do total, quase 2 trilhões de dólares já foram distribuídos às empresas financeiras. O restante é formado por garantias e empréstimos com juros abaixo do mercado. Além de ter de emprestar e salvar bancos, os governos viram suas arrecadações despencarem diante da queda da produção e do consumo. Por isso, o FMI alerta que a crise terá um efeito de longo prazo. O FMI e analistas acreditam que os governos conseguirão recuperar parte desse dinheiro durante a próxima década.
O problema é que a dívida explodirá até lá e, segundo o Fundo, os países ricos deverão atingir um déficit em seu orçamento de 10,2% de seus PIBs no final do ano. O FMI também está revisando suas estimativas do custo da crise para os orçamentos governamentais. A entidade agora afirma que os países mais ricos do G-20 (as 20 maiores economias do mundo) vão sofrer um déficit orçamentário de 10,2% do PIB em 2009. É o maior resultado negativo para a maioria dessas nações desde a Segunda Guerra Mundial. O aumento nos déficits orçamentários foi provocado por uma combinação da gravidade da crise, que derrubou a arrecadação dos governos, e as medidas de estímulo que foram introduzidas por alguns países para tentar incentivar a recuperação da economia.
A entidade acredita que o aumento de gastos é mais eficiente que a redução dos impostos para incentivar a demanda e que isso funciona melhor se aplicado em conjunto com uma política monetária mais flexível e de maneira coordenada em todo o mundo. O FMI afirma que é importante que os governos apresentem estratégias confiáveis para uma redução dos déficits a longo prazo, apesar de ter pedido para que eles mantenham o estímulo fiscal a curto prazo. Os líderes do G-20 deverão voltar a discutir a situação econômica mundial em seu próximo encontro, marcado para setembro, em Pittsburgh, nos Estados Unidos. Com informações do Correio do Povo.
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