1.7.09

Editorial - Os desafios futuros do G-8

O conjunto que reúne os oito países mais ricos, conhecido como Grupo dos Oito, com a sigla G-8, estará reunido neste mês na Itália. Formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia, esse fórum enfrenta os maiores desafios da sua história. A crise econômica fragilizou o Produto Interno Bruto (PIB) de cada um dos seus integrantes e, com isso, minou, de forma contundente, o poderio de que individual e coletivamente desfrutavam no mundo.
Para Olíver Stuenkel, mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Harvard e doutorando em Ciência Política na Universidade Mercator da Alemanha, o G-8 esgotou sua capacidade de lidar de forma eficiente com os grandes problemas do planeta. Por isso, ele aconselha que o G-8 vire G-14, com a inclusão de China, Índia, Brasil, África do Sul, México e Turquia. Para este último, ele acredita que está reservado o papel de mediador entre o Ocidente e o mundo muçulmano. Ele acredita que a solução de muitos impasses atuais passa pela ampliação do grupo, podendo até mesmo incluir mais países emergentes, chegando a um foro maior que o próprio G-14.
E quais são os temas da agenda mundial que Stuenkel considera que os países do G-8 perderam atualmente as condições de gerenciar? Ele arrola as mudanças climáticas e a proliferação de armas nucleares. Pode-se, ainda, acrescer outros pontos, como a fome no mundo e o combate à corrupção.
Em função do surgimento de outros atores em escala internacional, os quais trazem novas potencialidades, estão surgindo alianças formalizadas entre esses países. É caso do Ibas, com Brasil, Índia e África do Sul, ou do Bric, que congrega Brasil, Rússia, Índia e China, esta, a segunda maior economia do mundo. Qualquer organismo mundial que não inclua essas nações terá dificuldade de arregimentar forças para atuar de forma incisiva.
Os rumos do G-8 estarão sendo discutidos na cúpula marcada. Oxalá possa o grupo ter um profícuo debate a fim de encontrar soluções para os diversos dramas que afligem as populações do mundo. Caber-lhe-á adotar as medidas necessárias para contornar a crise econômica e adotar novos paradigmas para a Terra e para si mesmo. Mesmo as grandes potências precisam se reciclar.

Correio do Povo, página 4 de 1º de julho de 2009.

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