“A tarefa do historiador não é encontrar o desenrolar entre os grupos e as sociedades numa cadeia ininterrupta de filiações sucessivas,(...) mas sim descortinar no passado toda uma série de combinações infinitamente ricas e diversas.(...) O preconceito daquilo que podemos chamar de «evolução linear» da humanidade foi reconhecido pelo que ele é: um preconceito, e mesmo duplamente um preconceito.”
FEBVRE, Lucien La Terre et l’évolution humaine, Introduction géographique à l’histoire. Paris: 1949. p.290.
1. O mito dos pais fundadores | |||
| “Nós, cujos nomes se seguem, leais súditos de nosso soberano senhor Jaime, pela graça de Deus, rei da Grã-Bretanha, da França e da Irlanda, defensor da fé, tendo realizado, para a glória de Deus, a difusão da fé cristã e a honra de nosso rei e de nosso país, uma viagem para estabelecer a primeira colônia na parte norte da Virgínia (...)”. | |||
| 1.1 As origens de um povo | |||
| No diâmetro oposto do que afirma a historiografia americana, são os presbiterianos radicais de Massachusetts - e não os pioneiros do Mayflower - os fundadores da nação americana. No outono de 1620, 102 ingleses embarcaram no Mayflower para viajar rumo a uma concessão situada perto da embocadura do rio Hudson, que lhes tinha sido concedida pelos mandatários da Companhia de Virgínia pelo prazo de sete anos. | |||
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| Os passageiros, incluindo mulheres e crianças, não formavam um grupo homogêneo. Trinta e cinco deles eram presbiterianos, que cultivavam o desejo de viver em paz segundo suas convicções religiosas, ao passo que o gosto pela aventura e o desejo de fazer fortuna motivavam os outros companheiros. | |||
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| Após uma tempestade na costa americana, os viajantes não esperaram chegar ao destino previsto inicialmente. Desembarcaram 200 quilômetros mais ao norte, diante do Cabo Cod - fora, portanto, dos territórios demarcados. Os puritanos não somente foram abandonados à própria sorte, "largados como vieram ao mundo", como ficaram à mercê, acreditavam, da cupidez manifesta dos outros passageiros. Para dar valor legal à sua fixação na costa americana, e também, sem nenhuma dúvida, para se proteger de seus companheiros, redigiram um documento, o Mayflower Compact ,assinado ainda a bordo por 41 adultos, em 21 de novembro (ou 11 de novembro para os anglo-saxões, que só aceitaram o calendário gregoriano a partir do século XIX). Desde o início da colonização, os puritanos manifestaram o desejo de se organizar em um corpo político civil. A terra prometida trouxe a esses novos "filhos de Israel" sua parcela de sofrimento. A fome, o frio e a doença dizimaram a pequena colônia. A metade dos pioneiros não resistiu ao primeiro inverno. Os sobreviventes, contudo, dedicaram-se ao trabalho. Uma boa colheita, no verão seguinte, os confortou, e eles a celebraram com um solene Thanksgiving, o Dia da Ação de Graças. Assim, os primeiros perus apareceram sobre as mesas para agradecer a Deus pelas suas dádivas. À cidadezinha que fundaram numa verde colina deram o nome de New Plymouth. Em 1627, um holandês, vindo de Nova Amsterdã, constatou a boa organização da cidade. Notou que a colônia possuía um governador e um conselho, cujos membros eram eleitos ou reeleitos a cada ano por toda a comunidade, regida por leis restritas, notadamente no que se referia a adultério e fornicação. | |||
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| Atenção, porém: embora a epopéia dos peregrinos seja parte integrante da história americana e o Mayflower Compact tenha servido de modelo a outras possessões na região do Atlântico, não é tanto a esses pioneiros que se deve o mérito de conceber a América do Norte. Esse tem de ser creditado, sim, a outro grupo puritano que se estabeleceu na baía do Massachusetts, alguns anos mais tarde. É por esse motivo que o primeiro governador, John Winthrop, ficou com o título de fundador da Nova Inglaterra. Em 1629, uma nova carta, outorgada por Carlos I, fundou a Massachusetts Bay Company. No ano seguinte, mil ingleses, todos formados na doutrina puritana, embarcaram de Southampton em direção ao Novo Mundo, a fim de estabelecer sobre essas terras virgens uma nova ordem eclesiástica e política, que lhes permitiria viver de acordo com suas crenças. Eles eram devotos, animados pela vontade de trabalhar e pelo senso do dever. Além disso, muitos tinham instrução: cadetes, filhos de grandes fazendeiros, ministros religiosos. Esses homens e essas mulheres determinados concebiam sua migração ao Novo Mundo como um capítulo do drama que se desenrola desde a criação do mundo e que só acaba no Juízo Final. Deus os guiara até esses lugares selvagens com o fim de arrancá-los das mãos de Satã e conduzi-los a Cristo. Seu destino era o de estabelecer uma nova idade do ouro na América do Norte. Neles havia a nostalgia de um ascetismo pastoral, tema tocante que, ao lado da utopia igualitária, influenciaria profundamente a literatura anglo-saxã. Eles reconheciam um só soberano, Deus, o que tornava os homens do Novo Mundo irmãos, solidários. John Winthrop, a bordo do navio Arabella, declarou: "Nós devemos agir nessa empreitada como um só homem, devemos alegrar-nos na companhia dos nossos, divertir-nos juntos, chorar juntos, trabalhar e sofrer juntos, tendo sempre presente no espírito a missão de nossa comunidade, na qual todos devem ser como membros de um mesmo corpo". Concedendo a carta, o governo inglês pensou que a nova colônia, assim como a da Virgínia, seria governada a partir de Londres. Mas a Massachusetts Bay Company não entendeu dessa maneira, e o Massachusetts seria um estado quase independente durante meio século. A companhia instalou em Shawmut (Boston) um governador residente, assim como um conselho composto por grandes proprietários rurais, mercadores e pastores. Um acordo foi assinado por todos. O texto era curto: "Fazemos uma aliança (covenant) com o Senhor e entre nós, comprometendo-nos, na presença de Deus, a caminhar juntos em todas as suas sendas da forma que Ele desejar revelar-se a nós em Sua santa palavra da verdade". Antes de existir politicamente, cada comunidade era de essência religiosa. Apesar de, nos primeiros tempos, o direito de voto estar reservado apenas aos membros das igrejas congregacionistas, às quais pertencia a maioria dos imigrantes, não é correto afirmar que o Massachusetts, na época puritana, era uma teocracia. Os magistrados zelariam sempre por suas prerrogativas. A Igreja e o Estado trabalhavam juntos para o bem da comunidade, buscando o consenso. Todas as decisões deviam ser unânimes - o que provocava debates intermináveis. Mas, uma vez obtido o consenso, os puritanos não contestavam a decisão tomada, convencidos de que "Deus esclarecera suficientemente os pastores e os magistrados de seu próprio povo para que estivessem preparados para governar com base na certeza e na verdade". Eles não tinham deixado a Inglaterra para escapar a toda forma de governo, mas para trocar o que acreditavam ser um mau governo por um bom, ou seja, formado livremente por eles mesmos. Tanto no plano político como no religioso, acreditavam que o indivíduo só poderia se desenvolver em liberdade. Entretanto, convencidos de que a liberdade consiste em dar ao homem a oportunidade de obedecer aos desígnios divinos, ela apenas permitia ao indivíduo escolher o Estado que deveria governá-lo e a Igreja na qual ele iria louvar a Deus. Como a Igreja da Nova Inglaterra tinha rejeitado toda hierarquia que tivesse o poder de ditar sua conduta, cada congregação religiosa no Massachusetts era autônoma. Era composta de convertidos: existia onde os cristãos, movidos por uma livre decisão, se reuniam. Não podemos obrigar ninguém a ser crente - afirmavam os teólogos puritanos - tanto quanto não podemos forçar uma pessoa livre a renunciar a uma convicção. Não tenhamos, entretanto, nenhuma ilusão. Os puritanos, apesar da separação relativa entre Igreja e Estado e o cuidado com a liberdade de consciência, se mostravam intolerantes àqueles que não pensavam como eles, mais por medo do caos social que beatice. Por isso, alguns agricultores, como Roger Williams, acabariam se exilando em Rhode Island. Outros acabariam banidos, com proibição de voltar à colônia, sob pena de morte. Quatro quakers recalcitrantes foram enforcados, entre 1658 e 1661. A ordem deveria reinar. O pensamento e a ação dos puritanos se inscreveram nos cânones de uma sociedade que primava pela ordem. Quando, em 1641, desafiando o Parlamento britânico, o Massachusetts se tornou um Commonwealth, criando sua própria legislação, conservou leis britânicas, sobretudo as que garantiam justiça igual para todos, proteção contra toda prisão arbitrária e morte pela forca. Em certos aspectos, como está no código das liberdades de 1641, as leis do Massachusetts ofereciam mais garantias ao cidadão que as inglesas - por exemplo, no tocante à liberdade de expressão e de ir e vir, como no direito de se reunir. A lei protegia também o cidadão contra a possibilidade de ser condenado duas vezes pelo mesmo crime, previa a liberdade sob caução e proibia a tortura para se conseguir a confissão de um preso (mas uma "tortura não-desumana" era autorizada para obter o nome dos cúmplices daquele que era reconhecidamente culpado). A lei definia que um homem não podia receber mais de 40 chibatadas, nem um detento condenado à morte sem ter sido considerado culpado por três testemunhas. As mulheres eram protegidas contra a brutalidade marital (exceto quando o marido era obrigado a se defender de um ataque de sua mulher), assim como os servidores, contra os abusos de seus patrões. Além disso, cada habitante do Massachusetts tinha a possibilidade de consultar os regulamentos, registros e arquivos de qualquer corte, salvo os do Conselho. Outro artigo interessante: "Nenhum monopólio será autorizado ou concedido a nenhum dos nossos, salvo por um curto período, e somente no caso de novas invenções que possam ser benéficas a todos". Os puritanos também baseavam suas leis na Bíblia. Eram passíveis da pena capital os blasfemadores, os feiticeiros e as feiticeiras e aqueles que se dedicassem à adivinhação; quem cometesse homicídio ou bestialidade; os pederastas, os adúlteros, os ladrões, aqueles que davam falso testemunho e os conspiradores. Por fim, o repouso do sabbat (como eles chamavam o domingo) deveria ser rigorosamente respeitado e voltado às atividades espirituais. A legislação proibia viagens, visitas, obras, divertimentos, e os infratores eram obrigados a pagar multas. O único deslocamento autorizado era o de se encontrar na casa de orações mais próxima para louvar ao Senhor. Assim que o sabbat acabava, os habitantes retomavam o trabalho. Para o povo de Massachusetts, como, aliás, para todo bom protestante dessa época, o trabalho era um "desígnio divino". Afinal, Deus havia confiado a Adão a tarefa de cultivar o Paraíso antes da Queda. E Cristo, durante sua vida terrestre, tinha trabalhado como carpinteiro. Deus deu a vida ao homem para que ele fosse ativo, proclamara o célebre teólogo de Cambridge, William Perkins. Seu Tratado da vocação colocava o trabalho no centro da reflexão: "Cada um de nós, ricos ou pobres, homens ou mulheres, somos obrigados a ter uma vocação pessoal, por meio da qual devemos cumprir certos deveres visando o bem comum, de acordo com os dons que Deus concedeu a cada um". Isso significava que, para ele, o trabalho não-produtivo tornava-se suspeito, ímpio e mesmo imoral, fosse a pessoa especulador, monge ou vagabundo. Na verdade, ele dava ao trabalho um valor tal que a ordem do repouso sabático lhe provocava a sensação de que era obrigatório trabalhar todos os outros seis dias. Em nome da utilidade, Perkins acabou por reduzir a vocação apenas às atividades econômicas. Sabendo-se que, entre os imigrantes, muitos ministros estavam impregnados pelas idéias de Perkins, não foi de estranhar que a "Plantação de Deus", cadinho onde se forjariam diversas gerações de crentes, tenha se tornado rapidamente um lugar de grande atividade. Entre 1630 e 1640, em ondas sucessivas, cerca de 20 mil ingleses desembarcaram no Massachusetts. Do Maine ao Connecticut, comunidades foram aparecendo, com freqüência isoladas umas das outras, dedicando-se à caça, à pesca, à agricultura. Indústrias começaram a crescer, especialmente a da pesca, pois os peixes eram abundantes nas frias águas do Atlântico. Estaleiros foram criados; pequenas cidades se desenvolveram. Povoados costeiros, como Salem e Charlestown, se transformaram em cidades portuárias, nas quais negociantes comerciavam com a Europa e as ilhas do Caribe. Boston, centro do governo de Massachusetts, mostrava, em sua prosperidade e suas múltiplas atividades, a vitalidade de seu povo, "santos magistrados", comerciantes e artesãos. A educação não fora esquecida, e a formação das elites prosseguia. Em 1636, foi fundada em Newton, perto de Boston, a Universidade Harvard. Três anos depois, uma tipografia se estabelecia na região. A primeira geração trabalhava de forma organizada. Depois, a população se tornou menos homogênea, e, com o passar dos anos, o sucesso pessoal acabou suplantando o esforço coletivo. Muitos imigrantes estavam tão determinados a fazer fortuna quanto a favorecer a "verdadeira religião" e, no fim daquele século, cresceu a rivalidade entre a classe dos mercadores e a dos grandes proprietários rurais, os primeiros com visão de futuro, os segundos permanecendo agarrados a seu ideal pastoral. Mas todos continuaram vivendo à maneira puritana, e não é vão afirmar que as teorias dos pensadores do puritanismo, que, lembremos, pregam a moderação, não o ascetismo, asseguravam um fundamento moral, religioso e econômico tão sólido que o estilo de vida New England não somente se impôs aos recém-chegados mas ganhou outras regiões onde se disseminavam os crentes. Novas colônias se estabeleceram, e cada uma delas se esforçou para preservar sua independência, no plano religioso ou político. Assim, a de Rhode Island - formada pelas cidades de Providence, Portsmouth, Newport e Warwick - gozava de uma carta que a tornava uma pequena república independente. Os colonos de Connecticut, em 1639, redigiram as Ordens Fundamentais do Connecticut, que foi a primeira constituição escrita na América, e a primeira no mundo ocidental. A colônia era dirigida por um governador, um corpo de conselheiros e uma Câmara baixa eleita. Em 1662, ela obteve de Carlos II uma carta bastante liberal, assim como o privilégio de ter um governo próprio. | ||||||||||||||||
| 1.2 Transformações na colônia | ||||||||||||||||
| Às vezes, entretanto, acontecimentos externos obrigavam as colônias a se unir. Em 1643, temendo o expansionismo de seus vizinhos holandeses em Nova Amsterdã, Massachusetts, Connecticut, Plymouth e New Haven se agruparam numa Confederação da Nova Inglaterra. Ficava claro, porém, que a independência territorial de cada colônia estava garantida. A Confederação era governada por oito comissários, dois para cada colônia, que foram escolhidos pelos membros de sua própria General Court (corpo legislativo munido de poderes judiciários). Eles tinham o poder de declarar tanto guerras ofensivas como defensivas, e as despesas eram pagas pelas colônias, com um rateio proporcional ao número de habitantes entre 16 e 60 anos de cada uma delas. A independência política dos New Englanders durou pouco tempo. A restauração da monarquia na Inglaterra, em 1660, tornou a posição do Massachusetts muito delicada. Rapidamente, o rei Carlos II revogou sua carta. Em 18 de abril de 1689, quando a notícia da Revolução Gloriosa chegou a Boston, a cidade se sublevou. O governador real foi posto na prisão e um manifesto foi lido publicamente. Para justificar sua ação, os rebeldes evocaram o temor de uma aliança com os franceses e de um complô católico. Um governo provisório de fidalgos foi instaurado, mas a alegria dos habitantes teve curta duração. Embora o elegante Increase Mather, presidente de Harvard, tenha viajado a Londres para discutir sobre o futuro do Massachusetts, esforçando-se para persuadir Suas Majestades que, sob o "bom governo" da antiga carta a colônia tenha tido um desenvolvimento sem precedentes, William e Mary se recusaram a restaurar a carta original, impondo ao Massachusetts um governador real e estendendo a liberdade de culto para todas as Igrejas protestantes. Por outro lado, os valores estavam mudando. O empirismo racional e científico do século das Luzes, pouco a pouco, se instalou na consciência dos habitantes da Nova Inglaterra e, na segunda metade do século XVIII, o puritano, movido por seu formidável espírito empreendedor, transformou-se em ianque. Além disso, a reflexão teológica canalizava menos suas energias que a busca pelo bem-estar - mas a experiência puritana do Massachusetts deixou seus rastros até os dias de hoje. Ainda não se poderia falar em democracia. Pode-se até dizer que os fundadores da Nova Inglaterra do século XVII eram totalmente contrários a ela (como, aliás, no século seguinte, a maioria dos homens que redigiu a constituição dos Estados Unidos). Existia em Winthrop uma grande desconfiança em relação à democracia, "a pior e mais vil forma de governo". O sistema colocado em prática pelos puritanos era oligárquico. De qualquer forma, esse regime funcionou como aprendizado da democracia, na medida em que, seja nas igrejas locais, seja nos conselhos, os religiosos deliberavam e elegiam responsáveis em suas próprias fileiras. Além disso, o pacto que reinava entre eles - adotado livremente e sem constrangimentos - era um contrato político, com regras e disciplina próprias. O ativismo político, aliás, era visto pelos teóricos do puritanismo como um dever do cristão regenerado. O puritanismo não foi uma religião individual, e sim social. Diante de Deus, o homem vivia na Natureza e também em sociedade, como atesta uma bela frase de um ministro puritano: "Um coração virtuoso iria ao céu sozinho se ele não encontrasse companheiros, mas ele prefere a companhia". | ||||||||||||||||
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| 2. O Contraponto: A tolerância religiosa na América inglesa | |||
| O Protestantismo é um dos grandes ramos do Cristianismo, originário da Reforma ocorrida na Europa no século XVI. Devido à sua própria natureza, é diverso em sua composição, doutrinas, práticas e culto. No Século XVII, diversos ramos do protestantismo atingiram o território das Américas. | |||
| 2.1. Os Quakers | |||
| A Reforma Protestante foi um movimento que começou no século XVI com uma série de tentativas de reformar a Igreja Católica Romana, e que culminou com a divisão e o estabelecimento de várias igrejas cristãs, das quais se destacam o luteranismo (de Martinho Lutero), o calvinismo, o anglicanismo e o anabatismo. A Reforma Protestante teve um intuito moralizador, colocando em plano de destaque a moral do indivíduo conhecedor agora dos textos religiosos, após séculos em que estes permaneceram sob o domínio privilegiado dos membros da hierarquia eclesiástica. A Reforma Protestante do século XVI reacendeu os princípios bíblicos da justificação pela fé e do sacerdócio universal, que foram novamente colocados em foco. | |||
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| Os quakers são oriundos deste amplo e complexo movimento que marca o século XVI e XVII na Europa. Quaker era o nome dado a um membro do grupo religioso de tradição protestante, chamado Sociedade dos Amigos. Criada em 1652, pelo inglês George Fox, a Sociedade dos Amigos reagiu contra os abusos da Igreja Anglicana, colocando-se sob a inspiração direta do Espírito Santo. Os membros desta sociedade, ridicularizados com o nome de quakers, ou tremedores, rejeitam qualquer organização clerical, para viver, no recolhimento, na pureza moral e na prática ativa do pacifismo, da solidariedade e da filantropia. Perseguidos na Inglaterra por Carlos II, os quakers emigraram em massa para a América, onde, em 1681, criaram sob a égide de William Penn, a colônia da Pensilvânia. | |||
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| Existe duas formas de cultos nas Reuniões da Sociedade Religiosa dos Amigos: A primeira é o Culto Programado, que assemelha a qualquer outro culto protestante tradicional, com hinos, orações e leituras da Bíblia e conduzida por um ministro. A outra forma é o tradicional Culto Silencioso ou não-progamado, onde os quakers se reunem e esperam que alguem se sinta guiado pelo Espírito Santo para exortar, ler a Bíblia, dar um testemunho, orar, cantar. As vezes um culto não-programado pode passar sem ter nenhuma manifestação, sendo uma hora de silêncio e meditação. Rejeitado qualquer forma exterior de religião, os quakers não praticam o Batismo com águas ou a Santa Ceia como a maioria das denominações cristãs. Creêm que o indivíduo é batizado "com fogo" (pelo Espírito Santo) falando na consciência; e relembram a obra de Cristo dando graças em toda refeição. | |||
| 2.2 Os Amish | |||
| Os amish (pronunciasse: ɑmɪʃ) são uma agrupação religiosa cristã de origem anabatista, notáveis por suas restrições enquanto ao uso de algumas tecnologias modernas tais como os automóveis ou a eletricidade. Estabeleceram-se principalmente em 22 assentamentos nos Estados Unidos da América e em Ontário, no Canadá.. Os amish são um grupo cultural e étnico fortemente unido, descendente de imigrantes predominantemente suíços de língua alemã. Crêem literalmente no Novo Testamento, e se exilam do mundo exterior, defendem o pacifismo y a vida singela. Vestem-se como nos séculos XVII o XVIII. | |||
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| Como os menonitas, os amish são descendentes dos anabatistas suíços (1525), denominados “os irmãos suíços”, que teve sua origem em Felix Manz e em Conrad Grebel. O termo menonita foi aplicado mais tarde e deriva de Menno Simons (1496-1561), um líder do anabatista do norte. Simons era um padre católico holandês, que se converteu ao anabatismo em 1536 e foi batizado por Obbe Philips após renunciar a sua fé e ofício católico. Era um líder nas comunidades do anabatistas dos Países Baixos, e sua influência chegou gradualmente até a Suíça. | |||
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| O movimento amish toma seu nome de Jacob Amman (1656-1730), um menonita suíço. Amman sentiu que os menonitas estavam se desviando dos ensinamentos de Menno Simons da Confissão da Fé de Dordrecht de 1632. Grande parte das discussões foram em relação a rejeição aos membros excluídos, chamada também a “proibição” (ou Meidung no alemão de Pensilvânia). Não obstante, os menonitas suíços nunca praticaram uma rejeição religiosa estrita como os anabatistas. A proibição significou que os crentes tiveram que parar todo o contato com povos que tinham sido excluídos da sociedade do menonita. Amman insistido nesta prática, nivela até o ponto para proibir que um cônjuge durma ou coma com a pessoa excluída até que esta se arrependa da sua conduta. Com este literalismo estrito uma divisão dos menonitas suíços, naquele momento se distribuiu através da Alsácia devido às condições pouco propícias da Suíça. Esta divisão aconteceu em 1693, e conduz ao estabelecimento dos amish. Como os amish é uma exceção dos menonitas, alguns historiadores os consideram menonitas conservadores. DE fato, alguns amish não estariam em discordância com este título. Alguns amish começaram a emigrar para os Estados Unidos no século XVIII e muitos estabeleceram-se para baixo no condado de Lancaster (Pensilvania). De fato, os primeiros emigrantes se dirigiram ao condado de Berks, mas foram transferidos mais tarde por razões de segurança relacionadas às guerras com a França e os povos indígenas nativos daquela zona, bem como por razões territoriais. Mas o fato é que os amish nunca participaram de genocídios perpetrados em nome da religião, legando um exemplo de tolerância e respeito singular na América anglo-saxônica. | |||
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| 3. A supremacia da colônia: Um exemplo para as outras | |||
| Os atuais Estados Unidos da América se originaram em Treze Colônias britânicas estabelecidas na costa atlântica da América do Norte a partir do século XVII. Em 1776, uma revolta foi organizada pela classe dirigente dos colonos e seguiu-se a Revolução Americana de 1776, que foi uma guerra de independência contra os colonizadores. |
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