Nova revelações, a cada dia, ampliam as situações constrangedoras e, em alguns casos ilegais, envolvendo o uso de passagens aéreas tanto na Câmara quanto no Senado. Ontem foi a vez de o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), admitir que também ele utilizou sua cota para beneficiar familiares. Em nota, Temer (SP) disse que destinou 'parte da cota de passagens aéreas a familiares e terceiros não envolvidos diretamente com a atividade do parlamento'.
As irregularidades são tantas que já há, inclusive, um ranking de quem viajou mais ao exterior com passagens pagas pela Câmara. O campeão é o deputado Dagoberto Nogueira Filho (PDT-MS). Apesar de novato, o deputado é o recordista com despesas de 'locomoção, hospedagem e alimentação', pagas com a chamada 'verba indenizatória'. Entre janeiro de 2007 e outubro de 2008, ele usou sua cota aérea para 40 viagens internacionais.
Dagoberto encabeça lista de deputados que fizeram mais de 20 viagens internacionais usando a cota de passagens, que na realidade é destinada para voos do parlamentar para seu estado de origem. O pedetista, mesmo integrando o Conselho de Ética, acha que não cometeu nenhuma ilegalidade. Ele realizou media de 1,8 viagem ao mês ao exterior. Em 22 de suas viagens foi acompanhado da mulher, Maria Verônica, e da filha Mariana.
Até mesmo o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) viu-se descoberto utilizando as passagens aéreas. Ontem ele disse acreditar ter usado bilhetes da cota de seu gabinete na Câmara para 'possivelmente duas' viagens de uma filha ao exterior. Ele dedica o feriado à revisão da emissão dos bilhetes de seu gabinete e à redação de um discurso que fará na quarta-feira cobrando que a Câmara e o Senado recuem da decisão de oficializar o uso das passagens por parentes de parlamentares e proíba a transferência a terceiros.
Preocupado com a repercussão negativa dos escândalos, a Câmara dos Deputados instaurou uma comissão de sindicância para apurar as irregularidades. A comissão tem 60 dias para analisar o uso indevido das passagens aéreas dos deputados pelas agências de viagens, segundo informações do Correio do Povo.
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