1.3.09

Artigo - Obama privilegia a diplomacia, por Jurandir Soares

Ao encaminhar para o Congresso o orçamento para o ano base de 2010, que começa em outubro, o presidente Barack Obama deixou clara a inversão que houve no comando da política externa americana. Ao contrário da administração Bush, a atual privilegia a diplomacia, aumentando em 40,9% a verba para o Departamento de Estado, em detrimento da guerra, pois o aumento para o Departamento de Defesa é de apenas 4%. Além disso, Obama diminuiu os gastos com as duas guerras em andamento, do Iraque e do Afeganistão. Todavia, não se pode esquecer que mesmo com o substancial aumento no orçamento do Departamento de Estado, que chega a 51,7 bilhões de dólares, este ainda corresponde a uma décima parte do orçamento do Pentágono, que é de 533,7 bilhões de dólares. Convenhamos, um orçamento maior do que o de muitos países do Primeiro Mundo.
À primeira vista, já se estabeleceu a primeira decisão no sentido de diminuir a ação bélica, com a antecipação da data para a retirada das tropas do Iraque. Pelo acordo firmado com o Iraque, os EUA têm prazo até dezembro de 2011 para retirar suas tropas do Iraque. No entanto, o presidente Barack Obama decidiu antecipar este prazo para agosto de 2010. Obama antecipa a retirada porque precisa deslocar os contingentes para o Afeganistão, que é onde está o terror. Que é de onde George Bush nunca deveria ter retirado as tropas americanas sem ter concluído a tarefa de acabar com o terror. Era lá que estavam, e ainda estão, Bin Laden, seus asseclas da Al Qaeda e os fanáticos islamitas do Talibã. E é dali que eles espalham suas ações por todo o Oriente Médio. Daí a importância de reforçar o contingente em território afegão.
Quanto à retirada do Iraque, esta não poderá ser total. Será necessário manter um contingente de 35 mil a 50 mil soldados, para dar apoio às forças iraquianas. Não se pode esquecer que o Exército do Iraque foi dizimado e agora está sendo reestruturado, o que demanda algum tempo. Além do mais, é preciso ter o cuidado para que não se repita no Iraque o que aconteceu no Afeganistão. Ou seja, que depois da saída das tropas americanas, os terroristas retomem o controle do território. O que significa que a redução de gastos com a guerra não é bem assim. Para fazer juz ao substancial aumento no orçamento do Departamento de Estado, Hilary Clinton terá a responsabilidade de agir em especial no Oriente Médio, para tentar resolver as questões do Iraque e do Afeganistão com o apoio dos países da região. Assim como também terá que tratar da questão israelense-palestina. Para cada um desses temas ela já tem um negociador específico. São eles Richard Halbrooke e George Mitchel.
Cumpre destacar ainda que, ao apresentar no Congresso o seu plano de recuperação econômica, Obama conseguiu ser tão convincente que o apoio ao pacote subiu 17 pontos, chegando aos 80%. O que significa que Obama segue em lua-de-mel com os americanos.

Correio do Povo, página 9 de 1º de março de 2009.

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