História - Revolução Francesa - História da Revolução Francesa
Introdução Luís XIV, chamado Rei Sol por ter escolhido este astro como emblema real, promoveu a arte e a literatura francesas e fez de seu país a potência militar mais poderosa da Europa. Seu objetivo era a supremacia da França, tanto em tempo de guerra como de paz. A Liberdade guiando o povo (1830, Louvre, Paris) é uma das obras mais nitidamente românticas e célebres de Delacroix. A tela, comprada pelo governo francês, mas considerada excessivamente incitadora, só foi exposta em 1848. No dia 14 de julho de 1789, a prisão da Bastilha de Paris foi invadida por uma multidão, para a qual este recinto representava o símbolo do absolutismo da monarquia. Robespierre foi uma das figuras mais polêmicas da Revolução Francesa. No afã de promover a democracia, pôs em prática o chamado Reinado do Terror, durante o qual foram guilhotinadas milhares de pessoas. Também morreu guilhotinado. Napoleão Bonaparte foi o gênio militar mais brilhante do século XIX. Conquistou a maior parte da Europa Ocidental para a França e instituiu reformas nesses novos territórios a fim de garantir as liberdades civis e melhorar a qualidade de vida. Foi coroado imperador da França em 1804 e estimulou o país implantando reformas para unificar a nação, dividida pela revolução. Muitas dessas mudanças perduram até hoje, como por exemplo as garantias às liberdades civis.
Processo social e político ocorrido na França entre 1789 e 1799, cujas principais conseqüências foram a queda de Luís XVI, a abolição da monarquia e a proclamação da República, que poria fim ao Antigo Regime.
As causas determinantes de tal processo estavam na incapacidade das classes dominantes (nobreza, clero e burguesia) de enfrentar os problemas do Estado, a indecisão da monarquia, o excesso de impostos que pesavam sobre os camponeses, o empobrecimento dos trabalhadores, a agitação intelectual estimulada pelo Século das Luzes e o exemplo da Guerra da Independência norte-americana.
As razões históricas da revolução
Mais de um século antes da ascensão de Luís XVI ao trono (1774), o Estado francês já havia passado por várias crises econômicas, resultantes das guerras empreendidas durante o reinado de Luís XIV; da má administração dos assuntos nacionais no reinado de Luís XV; das dispendiosas perdas da guerra entre a França e a Índia (1754-1763) e do aumento da dívida gerada pelos empréstimos às colônias britânicas da América do Norte, durante a Guerra da Independência norte-americana (1775-1783).
Os defensores da realização de reformas começaram a exigir o atendimento às reivindicações apresentadas e, em 1789, ao serem convocados os Estados Gerais, as delegações entraram em confronto com a câmara, rejeitando os novos métodos de votação estabelecidos, até que, no dia 17 de junho, o grupo liderado por Emmanuel Joseph Sieyès e por Honoré Riguetti, o Conde de Mirabeau, constituiu a Assembléia Geral.
Este desafio ostensivo ao governo monárquico, que contava com o apoio do clero e da nobreza, foi seguido pela aprovação de uma medida que delegava exclusivamente à Assembléia Geral o poder de legislar em matéria fiscal. Luís XVI, em represália, retirou da Assembléia a sala de reuniões. Esta respondeu realizando, em 20 de junho, o chamado 'Juramento do Jogo da Péla' pelo qual assumia o compromisso de não se dissolver, até que fosse elaborada uma Constituição.
O início da revolução
O povo de Paris responderia aos atos de provocação do rei com a insurreição: os distúrbios começaram em 12 de julho e no dia 14 de julho uma multidão invadiu e tomou a Bastilha, — uma prisão real que simbolizava o despotismo dos Bourbons —.
Mas antes do início da revolução em Paris, já haviam surgido, em inúmeras regiões da França, distúrbios locais, bem como revoltas de camponeses contra a opressão dos nobres. O Conde de Artois (futuro Carlos X) e outros líderes reacionários, diante das ameaças, fugiram do país, transformando-se no grupo émigrés. A burguesia parisiense, temendo que a população da cidade aproveitasse a queda do antigo sistema de governo para recorrer à ação direta, apressou-se a estabelecer um governo provisório local e a organizar uma milícia popular que foi oficialmente denominada Guarda Nacional. A bandeira dos Bourbons foi substituída por uma tricolor (azul, branco e vermelho), que passou a ser a bandeira nacional. E, em toda a França, foram constituídas unidades da milícia e governos provisórios. O comando da Guarda Nacional foi entregue a Marie Joseph Motier, o Marquês de La Fayette.
A elaboração de uma constituição
A Assembléia Nacional Constituinte aprovou a legislação, pela qual era abolido o regime feudal e senhorial e suprimido o dízimo. Outras leis proibiram a venda de cargos públicos e a isenção tributária das camadas privilegiadas. E, para dar continuidade ao trabalho, decidiu pela elaboração de uma Constituição. Na introdução, que seria denominada Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, os delegados formularam os ideais da Revolução, sintetizados em três princípios: "Liberté, Egalité, Fraternité" (Liberdade, Igualdade, Fraternidade).
Radicalização do governo
Em 17 de julho de 1791, os sans-culottes (nome dado aos membros da tendência revolucionária mais radical, que exigia a proclamação da república) se reuniram no Campo de Marte e exigiram a deposição do monarca. A Guarda Nacional, seguindo as ordens de La Fayette, abriu fogo contra os manifestantes, dispersando-os contribuindo para o acirramento irreversível das divergências existentes. O rei jurou respeitar a nova Constituição e a Assembléia Constituinte foi dissolvida para dar lugar às eleições previstas pela Constituição. A Assembléia Legislativa, que iniciou suas sessões em 1º de outubro de 1791, era formada por 750 membros, sem experiência política. A facção mais moderada era a dos feuillants, partidários da monarquia constitucional. O grupo majoritário, conhecido como A Planície, não tinha opiniões políticas definidas, mas se opunha ao setor radical que ocupava a ala esquerda e era composto, sobretudo, pelos girondinos. Estes defendiam uma república federativa, em projeto semelhante ao dos montagnards, grupo que ocupava A Montanha (nome dado à parte superior da Câmara) e era integrado pelos jacobinos e pelos cordeliers que advogavam a implantação de uma república centralizada. Em 20 de abril de 1792 a Assembléia Legislativa declarou guerra ao Sacro Império Romano-Germânico.
A luta pela liberdade
Os exércitos austríacos obtiveram várias vitórias nos Países Baixos, graças a alguns erros cometidos pelo alto comando francês, formado majoritariamente por monarquistas. A invasão posterior da França provocou sérias desordens em Paris. A Assembléia Legislativa declarou estado de exceção em 11 de julho, depois que a Sardenha e a Prússia aderiram à guerra contra a França. Forças de reserva foram enviadas para enfrentar a difícil situação na frente de batalha, e voluntários foram conclamados em todo o país. Quando os reforços, procedentes de Marselha, chegaram a Paris, cantavam um hino patriótico que ficou desde então conhecido como A Marselhesa e tornou-se o hino nacional francês.
O descontentamento popular provocou uma insurreição, em Paris, no dia 10 de agosto. Os insurgentes invadiram as Tulherias, residência da família real e assassinaram a Guarda Suíça do Rei. Luís XVI e sua família procuraram refúgio na sala de reuniões, próxima à Assembléia Legislativa, que não hesitou em depor o monarca e dar-lhe voz de prisão. Os revoltosos desfizeram o conselho de governo parisiense, substituindo-o por um novo conselho executivo provisório, que seria denominado a Comuna de Paris. Os montagnards, liderados por Georges Jacques Danton, dominaram o novo governo e passaram a controlar a Assembléia Legislativa, aprovando a realização de eleições em curto prazo, a fim de constituir uma nova Convenção Nacional, na qual teriam voto todos os cidadãos de sexo masculino. Entre o dia 2 e o dia 7 de setembro, mais de mil monarquistas e presumíveis traidores, aprisionados em diferentes pontos da França, foram julgados e executados.
A primeira decisão oficial adotada pela Convenção Nacional foi a abolição da monarquia e a proclamação da I República. O monarca foi declarado culpado e guilhotinado em 21 de janeiro de 1793. A rainha consorte, Maria Antonieta, teria o mesmo fim.
Quando a Convenção votou a favor do recrutamento de 300.000 homens e enviou delegados especiais a vários departamentos para organizá-los, os setores clericais e monárquicos inimigos da revolução incitaram à rebelião os camponeses de A Vandéia. A guerra civil então iniciada, não tardaria a estender-se aos departamentos vizinhos.
O reinado do terror
No dia 6 de abril a Convenção criou o Comitê de Salvação Pública, que seria o órgão executivo da República. A rivalidade entre as facções tornou-se mais aguda e a facção jacobina assumiu o controle do governo. Foi promulgada uma nova Constituição em 24 de junho, ampliando o caráter democrático do República, mas nunca entrou em vigor. O assassinato de Jean-Paul Marat e a indignação pública suscitada por este acontecimento aumentaram a influência dos jacobinos em todo o país. O líder Maximilien Robespierre passou a integrar o Comitê de Salvação Pública, tornando-se sua figura de maior destaque. Com o apoio de Louis Saint-Just, de Lazare Carnot, de George Couthon e de outros jacobinos importantes, implantou medidas policiais visando impedir toda e qualquer ação contra-revolucionária, durante um período que passou a ser conhecido como o Reinado do Terror.
Sob o ponto de vista militar, a situação estava perigosa para a República. As potências inimigas haviam reiniciado uma ofensiva em todas as frentes. Em pouco tempo foram formados 14 exércitos — em torno de 750.000 homens — que foram rapidamente enviados às frentes de batalha.
Os tribunais e os comitês revolucionários foram responsáveis pela execução de quase 17.000 cidadãos em toda a França. Durante o período do Terror, as vítimas alcançaram o número de 40.000 pessoas. O ódio anticlerical ficou também manifestado na abolição, em outubro de 1793, do calendário juliano, que seria substituído pelo calendário republicano.
Nesse período, o destino da guerra estava favorável à França. O general Jean Baptiste Jouran derrotou os austríacos em 16 de outubro de 1793, iniciando uma série de vitórias francesas.
8. A LUTA PELO PODER O Comitê de Salvação Pública levou à execução Hébert e Danton e seus principais adeptos, mas a rejeição popular a essas medidas de segurança, impostas por Robespierre, provocaria sua própria decapitação, juntamente com a de Saint-Just, Couthon e 98 de seus adeptos.
A Prússia e vários Estados alemães assinaram, em 5 de abril de 1795, o Tratado de Basiléia com o governo francês. A Espanha, também, se retirou da guerra, em 22 de julho. Com isso, as únicas nações que prosseguiram no conflito foram a Grã-Bretanha, a Sardenha e a Áustria. No entanto, por quase um ano não ocorreram mudanças na frente de batalha. A fase seguinte do conflito foi iniciada com as Guerras Napoleônicas.
A Convenção Nacional elaborou mais uma Constituição aprovada oficialmente em 22 de agosto de 1795. A nova legislação conferia ao poder executivo um Diretório de cinco membros, denominados diretores. O poder legislativo seria exercido por uma Assembléia bicameral, composta pelo Conselho dos Anciãos (250 membros) e pelo Conselho dos Quinhentos. Sucederam-se inúmeros golpes de Estado, decorrentes das lutas pelo poder e, em 5 de outubro, os monarquistas provocaram uma insurreição contra as leis anti-monárquicas, rapidamente reprimida pelo general Napoleão Bonaparte, comandante em chefe dos exércitos revolucionários e que, posteriormente, seria imperador da França com o nome de Napoleão Bonaparte. O regime da Convenção terminou em 26 de outubro e o novo governo, formado nos termos da Constituição, assumiu suas funções em 2 de novembro.
Desde o primeiro momento, o Diretório enfrentou inúmeras dificuldades, apesar do empenho demonstrado por políticos como Charles Maurice de Talleyrand-Périgord e Joseph Fouché. Muitos dos problemas surgiram em decorrência da estrutura do aparelho de governo; outros, pela confusão econômica e política gerada pela vitória dos conservadores. A elite fazia campanha aberta a favor da restauração da monarquia.
A ascensão de Napoleão ao governo
Os ataques da esquerda culminaram numa conspiração iniciada pelo reformista François Nöel Babeuf, que defendia uma distribuição equitativa das terras e dos lucros. Esta insurreição, que recebeu o nome de 'Conspiração dos Iguais', não chegou a desenvolver-se por ter sido Babeuf traído e executado em 28 de maio de 1797. Luciano Bonaparte, presidente do Conselho dos Quinhentos; Fouché, ministro de Polícia; Sieyès, membro do Diretório, e Talleyrand-Périgord julgaram que esta crise só seria superada com uma ação drástica e deram um golpe de Estado em 9 e 10 de novembro, levando à queda do Diretório. O general Napoleão Bonaparte seria a figura central deste golpe e dos acontecimentos que conduziram à Constituição de 24 de dezembro de 1799, que estabeleceu o Consulado.
Bonaparte, investido de poderes ditatoriais, usaria o entusiasmo e o idealismo revolucionários para atender a seus próprios interesses. No entanto, a situação interna seria compensada pelo fato da Revolução ter estendido seus princípios e ideais a quase todas as regiões da Europa, durante o período das conquistas napoleônicas.

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